terça-feira, 21 de setembro de 2010

'Eu gostaria que o Montillo tivesse vindo. Fiquei frustrada', diz Patrícia

Quando Patrícia Amorim assumiu o Flamengo, o clube vivia o frisson da conquista do título brasileiro no futebol, que não conquistava há 17 anos. Mas o início de 2010 não poderia ser pior. O time perdeu o Campeonato Carioca e começou a  derrapar na Libertadores, até ser eliminado. A base de 2009 foi rompida com as demissões do vice de Futebol, Marcos Braz, e do técnico Andrade.  Começaram as primeiras críticas. Zico assumiu a direção do futebol. Sem Adriano, Vagner Love e Bruno, o Brasileiro virou pesadelo. Reforços como Deivid, Diogo, Val Baiano e Renato Abreu surgiram com a competição em curso e ainda não corresponderam às expectativas.
- Foi uma surpresa o Renato chegar do jeito que chegou - afirmou a presidente, que aponta a má condição física como principal causa.
As negociações em busca de reforços deixaram em Patrícia uma grande frustração: o meia argentino Montillo, que acabou fechando com o Cruzeiro, era o seu favorito.
- Sinto muito quando o jogador quer vir, mas o empresário pega a proposta aqui, leva para outro lado e usa para conseguir algo melhor - desabafou a dirigente, que tem comos maiores sonhos de consumo repatriar Ibson, Juan e Julio Cesar. - Seria bom resgatar os nossos valores.
Outro que ainda tem as portas abertas para voltar é o técnico Andrade, apesar das cicatrizes deixadas por sua saída.
- Se encontrá-lo, vou cumprimentá-lo. Não é nada pessoal, amanhã ele pode estar aqui de volta. Mas quando há um desgaste, tem que dar tempo ao tempo.
Patrícia não se conforma de o ex-treinador, no dia de sua demissão, ter chegado atrasado para a reunião que selaria o seu destino junto com o vice de Futebol Marcos Braz, com quem tinha problemas.
- Era coisa de maluco. Um não estava satisfeito com o outro, sem contar com as brigas no vestiário, que começavam a ficar frequentes. Aliado a isso, teve um dia no hotel que o Andrade veio me perguntar se escalava o Pet ou não. Meu Deus do céu! Fiquei muito assustada. Vai perguntar para mim se tem que escalar ou não? - afirmou a dirigente, que falou ainda sobre o sonho de fazer triangular de futebol e basquete com Barcelona e Boca Juniors e sobre as dívidas do clube.
Veja abaixo a segunda parte da entrevista.
GLOBOESPORTE.COM: O Flamengo apostou alto em contratações como as de Deivid, Diogo, Val Baiano e Renato Abreu, que chegaram com problemas físicos e ainda não deram o retorno esperado. Como vê isso?
Patrícia Amorim
: Acho que a gente aprende uma lição. O que acontece com jogadores de fora? Contratamos com currículo e imaginamos que vão chegar aqui muito melhores. O nome do Renato passaria por qualquer comissão técnica e torcedor. Foi uma surpresa ele chegar do jeito que chegou. Nesses campeonatos, eles jogam uma vez por semana, em campos menores. Não têm tanto desgaste, tantas lesões. O corpo demora um tempo a se acostumar com essa mudança. Isso tem reflexo no desempenho.
Montillo no treino do Cruzeiro'O Montillo eu gostaria que tivesse vindo', afirmou
Patrícia (Foto: Washington Alves / VIPCOMM)
Dos jogadores que o clube tentou e não conseguiu contratar, qual o que lhe causou mais tristeza?
Montillo foi quem me deixou frustrada. Eu fico muito sentida quando o jogador quer vir, mas o empresário pega a proposta aqui, leva para outro lado e usa para conseguir algo melhor. E muitas vezes não volta para apresentar. O Montillo eu gostaria que tivesse vindo, sim. Estou falando como torcedora, é o que sinto mais. O Emerson também gostaria que viesse, porque sabia que ele queria. Fico triste quando o jogador quer vir e não consegue. Todo trabalho, quando não tiver prazer, realização, pode não render 100%. Acho que aqui talvez o Emerson estivesse mais feliz. Também chegamos a cogitar o Kleber, mas ele não queria vir e foi correto desde o começo.
Qual o seu sonho de consumo?Tenho vários. Num primeiro momento, quero trazer os que foram daqui. Ibson é o primeiro porque acho possível. Juan, o zagueiro, também. E quem sabe o Julio César para o gol. Seria bom resgatar os nossos valores...

Ronaldinho Gaúcho, jogando o que vem jogando no Milan, ficou mais difícil?
O Ronaldinho eu acho difícil, mas não impossível. Daqui a seis meses ele pode se dar o luxo de vir para cá se quiser.

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