Apresentado como reforço do Cruzeiro, no início de julho, o meia Walter Montillo levou mais de um mês para vestir a camisa celeste, uma vez que defendia a Universidad de Chile nas semifinais da Copa Libertadores. Tão logo estreou, no empate em 2 a 2 com o São Paulo, no Morumbi, em 15 de agosto, o argentino, de 1,71m, mostrou que poderia virar ídolo da torcida cruzeirense. Hoje, é apontado como um dos responsáveis pela ascensão da equipe mineira, que entrou na briga pelo título do Campeonato Brasileiro.
O futebol e os gols (ele é o artilheiro do Cruzeiro no Brasileirão com seis gols em 12 jogos) de Montillo chamaram a atenção nacionalmente. O sucesso rápido no futebol brasileiro não mexeu com a cabeça desse argentino de 26 anos, sempre comedido nas declarações. E foi assim em entrevista concedida ao UOL Esporte. Indagado sobre a possibilidade de ser escolhido o craque da principal competição nacional, o meia não se empolgou com a fama pessoal.
“Quero fazer as coisas pelo Cruzeiro, não para mim. Depois, se tiver um benefício pessoal, será bom, mas agora penso no grupo”, observou o camisa 10 celeste. Com a carreira construída no continente americano, Montillo admitiu, no entanto, que sonha em jogar na Europa. “O meu objetivo pessoal é jogar em alguma liga competitiva da Europa”.
Para contratar o habilidoso meia argentino, o Cruzeiro venceu a disputa com Flamengo e Vasco por ser o único clube disposto a desembolsar 3,5 milhões de dólares por seus direitos, e ainda contar com os elogios de Juan Pablo Sorín, que se tornou ídolo celeste. O camisa 10 cruzeirense diz ainda que vê jogadores mais qualificados para defender a seleção.
UOL Esporte - Você esperava que seu início no futebol brasileiro pudesse ser tão positivo?
Montillo – Acho que foi muita rápida a adaptação, mas tenho que seguir, tratar de brigar no Brasileirão, que estamos bem. Pelo lado pessoal, tenho de seguir fazendo as coisas como neste momento, para o Cruzeiro.
UOL Esporte - Juntamente com Conca, do Fluminense, e
D’Alessandro, do Inter, você tem sido apontado como destaque do Brasileiro. Pensa em ser o craque da competição?
Montillo – Isso não é algo que tenho em foco. Quero fazer as coisas pelo bem da equipe, não pelo bem pessoal. Se pelos objetivos do grupo eu atingir um benefício pessoal, está bem. Mas, em princípio, o esforço é por todos. Quero fazer as coisas pelo Cruzeiro, não para mim. Depois, se tiver um benefício pessoal, será bom, mas agora penso no grupo.
UOL Esporte - Você tinha propostas de outros clubes brasileiros? Por que optou pelo Cruzeiro?
Montillo – Havia a possibilidade de ir para o Flamengo e para o Vasco, mas as pretensões da Universidad de Chile eram certo dinheiro, que foi o Cruzeiro quem chegou a acordo com o clube chileno para a minha vinda. Haviam me falado muito bem do clube e creio que tomei uma boa decisão. Agora estamos muito bem, estou aqui há quase dois meses e tudo se saiu da melhor maneira. O Cruzeiro é uma instituição muito forte aqui no Brasil.
UOL Esporte - O que conhecia do Cruzeiro? Qual a influência de Juan Pablo Sorín para sua vinda para o Cruzeiro?
Montillo – Ele me ligou quando eu estava na Argentina e me falou muito bem do Cruzeiro. Ele me falou sobre o clube e, obviamente, essas coisas vão somando para que se tome uma decisão final.
UOL Esporte - Como tem sido a adaptação e a rotina em Belo Horizonte?
Montillo – Minha família, meus dois filhos e esposa estão muito contentes de estar aqui. Eles estão contentes de que a equipe está bem e nós estamos muito bem aqui.
UOL Esporte - Como tem sido seu contato com a torcida do Cruzeiro? Pelo que acompanhamos você foi um grande ídolo da Universidad de Chile, acredita que possa repetir isso aqui?
Montillo – Na Universidad de Chile, joguei dois anos e meio, e a relação da torcida comigo, não tenho palavras para agradecer. Na minha última partida, todo o estádio cantando meu nome foi uma cena linda, embora não tenhamos chegado à final da Libertadores. O carinho das pessoas na Universidad de Chile foi muito grande, tanto comigo, como com minha esposa e filhos. Aqui, tento ir bem em campo e as pessoas estão demonstrando um afeto muito grande por mim. A verdade é que para um atleta recém-chegado é difícil alcançar isso. O que quero é seguir dando alegria à torcida.
UOL Esporte - Qual a sua impressão do futebol brasileiro até agora?
Montillo – A gente sempre acompanha os jogadores pela televisão, aqueles que atuam no futebol internacional e na seleção. Agora que estou aqui, estou podendo ver de perto a qualidade técnica do jogador brasileiro. As partidas são ótimas de assistir, e agora que tenho compromisso pelo Cruzeiro, vejo de perto que são muitos bons jogadores. O Brasil sempre se caracterizou por ter jogadores de muito boa técnica e eles demonstram isso em campo.
UOL Esporte - Como tem sido sua relação com os jogadores brasileiros? Há alguma influência da rivalidade entre Brasil e Argentina?
Montillo – A rivalidade fica apenas quando jogam as seleções, mas isso é mais pela história. Aqui estou sendo tratado muito bem. Por ser um estrangeiro, me trataram muito bem desde o primeiro dia em que cheguei e fizeram tudo para que eu me adaptasse o mais rápido possível.
UOL Esporte - O que te levou a construir carreira em outros países latino-americanos, como México, Chile e Brasil?
Montillo – As experiências foram muito boas. No Chile, creio que cresci muito, tanto como jogador quanto como pessoa. Creio que venho bem, mas não posso me acomodar com isso, sempre quero mais. A experiência de atuar em outro país é sempre positiva. Para mim, foi muito bom chegar às semifinais da Libertadores com a Universidad de Chile, uma equipe que não almejava muito e passou pelo Flamengo e outras grandes equipes. Fiquei muito feliz.
UOL Esporte - Você pensa em se transferir para o futebol europeu?
Montillo - Jogar na Europa é sonho de todo jogador. O meu objetivo pessoal é jogar em alguma liga competitiva da Europa. Mas creio que foi um passo muito grande chegar ao Cruzeiro, uma das maiores equipes do Brasil. Depois verei se posso um dia ir para a Europa, mas agora estou muito tranquilo e penso apenas no Cruzeiro.
UOL Esporte - Você acredita que possa ser lembrado para a seleção argentina? Tem alguma frustração por ainda não ter sido lembrado?
Montillo – Estou tranquilo com isso. Obviamente, todos querem jogar pela seleção argentina, mas há jogadores com muita qualidade e uma carreira muito mais longa que estou tendo aqui. Há jogadores que estão atuando na Europa, e aqui temos o D’Alessandro, que vem muito bem, Dario Conca, que está fazendo tudo certo. Todos têm o sonho de atuar pela seleção, estive na equipe sub20 e foi uma das experiências mais lindas que tive no futebol. Obviamente, seguirei sonhando. Se algum dia tiver a oportunidade, será ótimo, mas estou tranquilo, porque sei que a seleção tem muitos bons jogadores também.
UOL Esporte - Qual sua avaliação da passagem de Maradona pela seleção argentina?
Montillo – Com a trajetória que tem Diego como jogador, todos o adoramos na Argentina. Creio que, no Mundial, ele estava indo muito bem até a partida contra a Alemanha, mas é também uma equipe muito boa. Não se pode analisar por um jogo só. Nas Eliminatórias, a Argentina não vinha jogando bem, e apesar da partida contra a Alemanha, todos falaram muito bem de Maradona e dos jogadores. Como argentino, creio que temos de seguir apoiando Diego e a Argentina, porque amo muito o meu país.
UOL Esporte - Com contrato até 2015, o que você espera de sua trajetória no Cruzeiro?
Montillo – É um contrato longo, mas é difícil cumprir todo o contrato. No Chile, eu também tinha cinco anos e não cheguei a cumpri-lo. Cheguei há dois meses e agora trato de viver dia a dia, cumprir meu contrato à medida que eu vá jogando. Não coloco uma meta de cumprir cinco anos, dois ou três. Trato de viver o presente, saber que estou apenas há dois meses no Brasil e as coisas até agora vão bem.
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