A torcida não poupou as seleções e improvisou cartazes de protesto (Foto: Carol Oliveira / Globoesporte.com)Na sexta-feira, os jogadores e o técnico do Brasil reclamaram muito do regulamento do Mundial, que segundo eles, favorece a Itália e cria situações como esta, em que a derrota vale mais que a vitória. No sábado, contudo, Giba afirmou que, como a Rússia “escapou” do confronto com o Brasil ao perder para a Espanha, o melhor seria a vitória – “Vamos entrar para ganhar”, prometeu.
Não foi o que se viu em quadra. Sem Bruninho, que amanheceu gripado, Bernardinho improvisou Theo como levantador e mandou à quadra um mistão que ainda tinha Rodrigão, Giba, Sidão, Dante e Leandro Vissotto, além do líbero Mário Jr. A Bulgária entrou sem seu principal jogador, o ponteiro Kaziyski, e ainda colocou em quadra o levantador e o líbero reservas. O resultado foi um jogo de baixíssimo nível técnico, sem um pingo de disposição na quadra.
O Brasil começou errando. Logo no primeiro saque, o “levantador” Theo jogou na rede. Duas falhas seguidas de Mário Jr deram à Bulgária 3/0 no placar. No banco de reservas, Bernardinho apenas observava. Próximo a ele, Bruninho, gripado e agasalhado até o pescoço, também olhava os companheiros em quadra. A primeira parada técnica foi com os búlgaros à frente: 8/5. Os erros dos dois lados deram a tônica do set. A seleção vacilava em bolas bobas, enquanto os europeus desperdiçavam chances.
A Bulgária mantinha a vantagem no marcador. Dante não tinha a mesma potência das outras partidas. Assim como Rodrigão, que via o ataque rival passar pelo seu bloqueio. Com 22/14, Bernardinho pediu tempo. Não gritou ou esbravejou, apenas reuniu a equipe. No retorno à quadra, as vaias tomaram o Palarossini. Depois que a Bulgária fechou em 25/18, os jogadores mudaram de lado ao gritos de “shame” – “vergonha”, em inglês.
Em quadra, ninguém parecia envergonhado. OS erros continuavam e, nas arquibancadas, a torcida se seguia inconformada. Gritava “buffone” – palhaçada, em italiano - e mostravam cartazes com a palavra “escândalo”. O Brasil chegou a ficar na frente, abrindo três pontos. Manteve a liderança até a segunda parada técnica, mas permitiu a reação da Bulgária. Mesmo sem Kaziyski, a equipe europeia conseguia pontuar facilmente. Virou para 21/18, e com um vacilo de Theo, fechou em 25/20.
Foi quando o público decidiu se virar de costas para a quadra. No terceiro set, os búlgaros chegaram a abrir 8/2. Depois o placar até se equilibrou, mas ganhava os pontos quem errava menos. Àquela altura, a torcida no Palarossini já tinha desistido do jogo. E uma nova carga de fortes vaias tomou o ginásio quando a Bulgária fechou em 25/20 e venceu a partida que ninguém queria vencer.
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