Um ano após terremoto, campo do 'Fla do Haiti' ainda serve de abrigo
Parque da Paz tem mais de 100 mortos enterrados no entorno e 500 famílias morando onde um dia treinou o mais popular time de Porto Príncipe
Campo de futebol no Haiti serve de alojamento para desabrigados (Foto: João Gabriel / No dia 12 de janeiro do ano passado, grande parte dos desabrigados de Bel Air foram encaminhados para o gramado do Parque da Paz, onde logo foi montado um acampamento improvisado, às pressas. Ao mesmo tempo, cerca de 100 corpos de quem não sobreviveu ao desastre foram lançados em um fosso construído ao redor do campo. Um ano depois, os mortos estão soterrados e as famílias continuam alojadas no antigo campo do Aigle Noir.
- Aqui, um dia, já foi um campo de futebol, de basquete, era um centro esportivo. E o Aigle Noir é muito conhecido aqui no Haiti. É como o Flamengo no Brasil, é o time do povo, daqui do bairro. Leva o nome daqui para os jogos. Agora, não tem mais como usar o seu campo – disse Daniel Delva, um dos líderes comunitários mais respeitados do país.
Daniel Delva explica a situação no Haiti(Foto: João Gabriel /
- Quando o time jogava, vinha todo mundo assistir. Agora, não podem sair daqui, por medo ou por não ter como deixar as crianças sozinhas. Na hora em que o Aigle Noir é campeão, a violência não acaba, mas todos ficam felizes. O Aigle Noir trabalha para conseguir acabar com a violência em Bel Air. Sempre foi assim – afirmou Delva.
O Parque da Paz, hoje, fica atrás do terreno alugado pela ONG Viva Rio. É a instituição que fornece água para quem mora nas barracas e, muitas vezes, é quem emprega moradores de Bel Air. Torcedor fanático da equipe do bairro, Esper Edwict, o Espera, atua como tradutor para o Exército brasileiro e para a entidade desde 2004. Através da ONG, foi ao Brasil fazer cursos no meio do ano passado e só retornou no início de 2011, com o português afiado.
- Eu sempre torci, ia aos jogos. É o meu time de coração. É igual ao Flamengo, no Rio. Sempre acompanhei até os treinos. Mas o campo faz muita falta. Não é impossível (que um dia o time volte), mas é difícil. Sinto muita saudade – disse Espera.
O tradutor, de 24 anos, diz que as crianças de Bel Air sentem falta do local para brincar.
- Quando acabava a escola, sempre vinha para cá. Agora, as crianças não têm mais onde brincar. Não podem mais fazer nada.
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