quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Corinthians

-Após fim da 'era Mano', Tite procura nova cara sem passar por jejum
Com time bastante modificado em comparação com 2009, treinador procura reconstruir elenco em meio à turbulência e a pressão da Fiel por conquistas


Tite tem uma missão complicada nas mãos. Pressionado pela eliminação na Libertadores, o treinador precisa de títulos para acalmar a torcida, mas convive com a responsabilidade de formar uma nova equipe vencedora. Qual será a cara do novo Timão sem Ronaldo e Roberto Carlos? Em um ano que já começou tumultuado com a derrota para o Tolima, o Alvinegro tenta evitar problemas durante o período de reconstrução.

A “era Mano Menezes” definitivamente acabou em 2011. Da equipe que conquistou a Copa do Brasil em 2009, momento de melhor futebol sob o comando do atual treinador da Seleção Brasileira, restaram apenas quatro titulares: Alessandro, Chicão, Dentinho e Jorge Henrique. O clube ainda tem também o zagueiro Diego, o meia Morais e o lateral-esquerdo Marcelo Oliveira, que retornaram de empréstimo no início do ano.

Todos os setores sofreram mudanças ao longo dos meses: O lateral-esquerdo André Santos e volante Cristian foram negociados com o Fenerbahce-TUR. Já o goleiro Felipe entrou em atrito com a diretoria e foi para o Sporting Braga-POR, enquanto Elias acertou com o Atlético de Madri-ESP. O meia Douglas se aventurou no mundo árabe e o atacante Herrera acabou devolvido ao Gimnasia-ARG.

Ao contrário de Mano, Tite não terá tempo. Em 2008, o treinador pôde ajustar o time da maneira como quis. A ótima campanha na Segundona permitiu testes e mudanças para que, no ano seguinte, o Timão começasse embalado. Deu certo. Logo no primeiro semestre, dois títulos. Agora, nada de paciência. A reformulação está sendo feita com o Paulistão em andamento. Pior: com pressão para ganhar.

- A realidade é um momento de transição da equipe. Ela está procurando se ajustar. Temos apenas três jogadores do time campeão da Copa do Brasil e da base campeã da Série B – disse o comandante.


Tite tenta também encontrar um esquema tático ideal. Assim que chegou ao clube, em outubro do ano passado, procurou adotar a formação com três atacantes, vitoriosa nas mãos de Mano. O Timão melhorou, mas não o suficiente e voltou a cair de rendimento em 2011. Agora, são três jogadores em uma linha mais recuada do ataque, deixando apenas Liedson centralizado.

O treinador aposta nos substitutos dos galácticos. Fábio Santos foi contratado como reserva imediato de Roberto Carlos, mas é Marcelo Oliveira quem ganhou a vaga. No ataque, Liedson chegou com status de “salvador da pátria”, principalmente pelo que fez no clube em 2003 e pelo sucesso que obteve em Portugal ao longo de sete temporadas e meia.

- O Marcelo tem muita qualidade no lance pessoal, no apoio, ultrapassagem. É desafogo pelo lado esquerdo. Ele vai aprimorar a marcação na linha de quatro e tem bom porte físico. O Liedson é um jogador identificado, compete sem gol, com uma capacidade de finalização pelo alto e pelo chão que é impressionado – elogiou.


-Timão entrará em campo com camisa em homenagem a Ronaldo
Modelo já está em pré-venda na loja virtual do clube e traz a frase 'R9 eternamente em nossos corações' estampada na parte frontal


Na semana em que Ronaldo anunciou a aposentadoria do futebol, o Corinthians lançou uma camisa em homenagem ao Fenômeno. O modelo, já em pré-venda na Shop Timão, loja vitual do clube, traz na parte da frente a frase "R9 eternamente em nossos corações", fazendo uma referência também ao hino do time. Nas costas, há o número 9 e o nome do craque.

O time do Corinthians entrará em campo nesta quinta-feira à notie, contra o Mogi Mirim, no Pacaembu, pelo Paulistão, com a camisa especial. O modelo, na cor preta, custa R$ 49,90.


-Roberto Carlos revela que vandalismo pesou para aposentadoria de Ronaldo
'Foi um dos motivos para o Ronaldo sair do Corinthians. Ele só esperou eu tomar a decisão para tomar também', diz lateral, agora jogador do Anzhi-RUS

Ronaldo se despediu do futebol profissional na última segunda-feira. Emocionado, culpou o corpo castigado por diversas lesões para tomar a decisão. Nesta quarta, o lateral Roberto Carlos, que deixou o Timão na última semana e acaba de acertar por dois anos com o Anzhi, da Rússia, revelou que o vandalismo de parte da torcida corintiana após o fiasco na Libertadores teve papel importante na decisão do Fenômeno.

Este foi um dos motivos para o Ronaldo sair do Corinthians. Ronaldo só esperou eu tomar a decisão para ele tomar também. A gente não precisa passar por isso - disse Roberto, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

A declaração se soma à de Viola, ex-companheiro de quarto de Ronaldo na Copa do Mundo de 1994.

Como entendo muito de futebol, sei que não foi por causa das dores que o Ronaldo parou. Ele se chateou por causa de meia dúzia de torcedores, que, tenho certeza, não são torcedores da Fiel. Eles foram, em momento errado, agredir os jogadores, chutar o patrimônio do clube e se focaram somente em duas pessoas: no Ronaldo e no Roberto Carlos. E foi o Ronaldo que indicou o Roberto Carlos. O Fenômeno até enviou no Twitter “não vou dar esse gostinho de me aposentar”, mas o cara começa a se enojar. Ninguém quer ser agredido no local de trabalho.

Roberto Carlos, 37 anos, contou se sentir crucificado injustamente após a eliminação diante do Tolima. O atleta não jogou a partida de volta contra o Tolima, na Colômbia, apesar de ter viajado com o grupo.

A minha decisão, se não tivesse todo aquele problema de quebrarem os carros do massagista, do Tite, do nosso roupeiro, de alguns jogadores, o pensamento era de jogar esse ano e mais um pelo Corinthians, renovar para 2012. Tomei esta decisão porque a gente não precisa mais passar por isso. Existiu aquilo e eu me senti muito mal, crucificado injustamente, porque não joguei, e fui lá para jogar, poderia ter jogado sem problema nenhum - acrescentou.

Roberto Carlos revelou detalhes da conversa que teve com Tite antes do jogo, na qual foi decidido que ele não jogaria. O pentacampeão negou veementemente o rótulo de pipoqueiro e reiterou diversas vezes que poderia ter ido a campo.

Eu tinha condições de jogo para pelo menos 70, 65 minutos. Tive uma conversa com Tite, no quarto dele, e chegamos à conclusão de que ele achava que eu deveria me recuperar completamente e deixar outro entrar. Um jogador como eu, que jogou contra Barcelona, Manchester, todos os jogos mais importantes do mundo, com Seleção Brasileira, eu não ia pipocar para o Tolima, né? Que as pessoas saibam bem que foi uma decisão entre mim e o Tite. Fui lá para jogar, e como ele é o chefe, decide quem deve jogar e não vou brigar com ele. Ele tomou a decisão e respeitei. - explicou.

Lesionado na perna, Roberto Carlos já havia ficado fora do jogo anterior ao do Tolima, contra o São Bernardo, pelo Paulistão. De acordo com seu relato, o lateral chegou a tomar infiltração para ter condições de jogo na Colômbia.

Eu poderia jogar com uma perna só, fui lá para jogar, não fui para ficar sem me vestir. Joguei toda a vida machucado, fiz 60 jogos ano passado com dores. Não precisava isso, ter sentido a dor de uma agulhada no meio da coxa (por conta da infiltração para acelerar a cura da lesão), era só eu falar que não queria jogar. Ele achou melhor não, eu não insisti, porque ele é o chefe, e deu tudo errado - finalizou.



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