Futebol

"Nem na várzea eu jogava", diz o estreante Jonas
Jonas comemora seu primeiro gol pelo Valencia, na vitória da equipe sobre o Atlhetic de Bilbao, no dia 27 de fevereiro
Antes de se juntar ao grupo que no domingo (27) enfrenta a Escócia, em Londres, Jonas conversou com o R7. Falou sobre seu início no futebol, sobre a adaptação na Espanha e contou que ficou surpreso com a convocação de Mano Menezes.
Entre outras coisas, Jonas disse que não se formou nas categorias de base de clubes e que nem na várzea jogou antes de se tornar profissional.
R7 – Você foi jogar na Espanha aos 26 anos e agora foi chamado para a seleção. As coisas na sua vida estão acontecendo tarde? Jonas – Acho que as coisas aconteceram no momento certo, até porque eu fui tarde para o futebol. Eu fui com 21 anos para o futebol, não tinha como as coisas acontecerem antes. Estou com 27 anos [completa no dia 1º de abril], com pouco tempo de carreira, mas feliz demais, está dando tudo certo para mim.
Jonas – Eu não joguei na base de nenhum clube. Nem na várzea eu jogava, porque não tinha na minha cidade. Eu só brincava de futebol mesmo, já tinha esquecido o futebol e estava estudando. Fiz dois anos do curso de Farmácia.
E– E como foi que virou jogador?
Jonas - Quando eu tinha 12 anos, eu fiz um teste no Guarani, mas não fiquei, porque tinha muita saudade da minha família. Mas o Donizete, que era o treinador na base do clube, continuou me chamando. Com 15 anos eu voltei para lá, mas não me adaptei. Então, quando eu já estava com 20 anos, ele e me pai se falaram de novo, escondido de mim. Ele veio na minha cidade para me ver jogar e falou: ‘Vamos lá, vamos tentar um ano’. Eu e minha família temos contato com o Donizete até hoje, somos muito gratos. O Guarani não queria que eu fosse, porque eu já tinha 20 anos, mas ele me bancou.
E– E ter pulado essa etapa das equipes de base fez falta para você nos fundamentos do futebol?
Jonas – Para mim, o que mais fez falta foi a preparação física. Nem o fundamento. Tanto que quando eu cheguei no Santos, com um ano de profissional, eu estourei o ligamento. Como eu não tive base, acho que não tive um reforço muscular adequado. Isso deve ter pesado. Hoje em dia, qualquer jogador é um touro de forte. Eu cheguei em um time grande e me machuquei já no quinto jogo. Hoje o jogador pode ser muito bom, mas se não tiver preparo ele é atropelado. Por isso que no futebol você tem que se cuidar dentro e fora de campo. Descansar.
E – Ser o artilheiro do Brasileiro no ano passado foi o que levou você à seleção e à Europa?
Jonas – Só eu sei o que realmente aconteceu na minha carreira. As pessoas me vêem hoje na Europa e acham que foi só pelo que fiz no ano passado, no Grêmio, mas não é verdade. Eu venho em uma crescente desde 2008. Eu fui muito bem na Portuguesa [jogou a série B do Brasileiro]. Claro que é um clube menos, mas tem muito jogador que consegue se destacar em um clube assim. Em 2009 eu fui artilheiro da temporada no Grêmio e só não fui melhor porque me machuquei.
R7 – A convocação para a seleção foi uma surpresa ou você esperava?
Jonas – Eu não posso dizer que eu esperava ser chamado, porque seleção brasileira é muito difícil. Eu estou sendo privilegiado, por isso tenho que aproveitar muito essa oportunidade. Ainda mais na minha posição, porque tem muito jogador bom. Foi uma surpresa, mas uma surpresa muito agradável.
E – A Copa América está chegando. Você acha que pode ganhar uma vaga para disputar o torneio?
Jonas - Eu penso no presente. O presente é agora, contra a Escócia. Não posso pensar na Copa América, porque é outra convocação e não sei se vou ser chamado, só o Mano sabe. Eu tenho que aproveitar a oportunidade de agora. Se eu for jogar domingo, tenho que entrar tranquilo e fazer uma boa partida. Nem sei quantos amistosos tem antes da Copa América. Até gostaria de saber.
R7 – Está ansioso para se apresentar à seleção, para vestir a camisa amarela?
Jonas - Estou muito ansioso, só tem jogador fera lá. A maioria eu não conheço, só vejo pela televisão. São jogadores consagrados que vou ter o privilégio de conviver. Quero pegar amizade com todo mundo, porque a gente pode aprender muito com eles.
E – Como está sendo a adaptação na Espanha?
Jonas – Estou há dois meses aqui no Valencia. Estou me adaptando bem, o pessoal me recebeu muito bem e isso ajuda muito. Quero ficar muito tempo por aqui, meu contrato vai até 2015 e quero cumpri-lo. Não volto tão cedo para o Brasil. Eu trouxe a família toda, isso também ajuda na adaptação. Quando eu cheguei aqui eu fiquei um mês só me preparando. Depois, comecei a entrar e agora estou jogando quase todas as partidas.
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