terça-feira, 1 de março de 2011

Palmeiras

Após reunião com Conselho, Tirone admite preocupação com Arena

Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras exigiu que presidente peça explicações à WTorre sobre a obra em andamento. Construtora rebate críticas

Por Diego Ribeiro São Paulo

PALESTRA ITÁLIA (Foto: FABIO MENOTTI / PALMEIRAS)

O presidente Arnaldo Tirone tem um grande problema nas mãos desde que assumiu o comando do Palmeiras, em janeiro. Por conta de alguns termos do contrato da Arena Palestra, ele se vê pressionado para exigir explicações e até mesmo pedir a paralisação da obra à WTorre, construtora responsável. Nesta segunda-feira, uma reunião do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) alertou o presidente sobre várias cláusulas contratuais que não estariam sendo cumpridas. A principal reclamação é em relação ao seguro feito pela empresa, que cobre somente 10% do valor que está sendo gasto para a construção da Arena.

Em 15 dias, o presidente espera conversar com a WTorre e resolver tais pendências. O COF já deseja a suspensão do contrato e a paralisação das obras até segunda ordem. Cauteloso, Tirone ainda acredita em uma continuidade da parceria, mas não deixa de mostrar preocupação com o assunto. É ele quem dá a palavra final, já que o Conselho apenas orienta e dá opiniões.

- Tivemos uma reunião do COF em relação a vários assuntos e um deles foi a Arena do Palmeiras. Estamos analisando e devo esperar outro relatório para ver se tem alguma pendência para poder analisar e ver o que eu vou fazer. Mas no momento a Arena está sendo construída e vamos aguardar mais informações. No momento não vou tomar nenhuma decisão. Preocupado eu estou, mas, sinceramente, estou há um mês e pouquinho (no cargo) e as informações até o momento não são suficientes para poder me manifestar - admitiu Tirone, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

Entre os conselheiros, a sensação é de que a obra já deveria ter sido paralisada. Muitos deles são ligados ao ex-presidente Mustafá Contursi, aliado de Tirone, mas maior crítico da WTorre. Walter Torre, mandatário da construtora, garante que o cronograma da obra está em dia e que a questão do seguro será resolvida após algumas conversas com Tirone. Torre não mostrou preocupação com as pressões do COF.


Sem medalhões, Ricardo Bueno é opção para a camisa 9 no Palestra

Atacante do Atlético-MG é observado pelo Verdão e empresário diz estar resolvendo situação. Clube confirma interesse, mas mantém cautela


ricardo bueno atlético-MG gol atlético-GO (Foto: Ueslei Marcelino / Agência Estado)

A direção do Palmeiras admite que recebe, a cada dia, inúmeras ofertas de empresários por um centroavante, posição mais carente da equipe. Mas agora, um nome aparece como opção mais concreta para o clube. O atacante Ricardo Bueno, do Atlético-MG, é o novo alvo do Verdão. Pouco aproveitado pelo clube mineiro e com contrato até a metade de 2012, Bueno pode chegar para solucionar o problema da camisa 9. Um dos empresários do jogador, Marcelo Goldfarb, admite que já há uma negociação nesse sentido.

- Existe uma conversa com o Palmeiras sim. Meu sócio (Bruno Paiva) está em Belo Horizonte para resolver a situação - afirmou Goldfarb.

Do lado do Palmeiras, o vice-presidente Roberto Frizzo confirma o interesse, apesar de tentar despistar. Segundo Frizzo, o fato de o Verdão querer um camisa 9 há muito tempo faz os empresários supervalorizarem seus jogadores. Por isso, o dirigente quer cuidado antes de fechar qualquer contratação.

- Ele (Ricardo) é um dos nomes comentados sim, mas não há nada certo. Não sei do empresário dele, e não conheço tão bem o atleta. Há boas referências, mas ainda vamos conversar - disse Frizzo.

Ricardo Bueno ganhou notoriedade no ano passado, quando foi artilheiro do Campeonato Paulista com 16 gols, defendendo o Oeste de Itápolis. Pelo Galo, ficou mais tempo no banco de reservas. No Verdão, viria para formar dupla com Kleber, que já manifestou por várias vezes o desejo de contar com um companheiro de ataque mais centralizado na área.

Antes, o Verdão já havia tentado Viatri, do Boca Juniors, e também sondou Grafite, do Wolfsburg. As duas contratações esbarraram nos altos valores pedidos por suas equipes.

- A arena está dentro do prazo. Estamos em dia com as obras. Temos antes que entregar dois prédios, que são áreas para onde vão transferir os esportes indoor. Temos de deixar prontos esses imóveis para terminar com a demolição da Arena. A obra está perfeita. Existe uma discussão sobre o seguro, que é uma questão contratual importante que estamos discutindo com o Palmeiras. Mas estamos só discutindo cláusula de contrato, que não interfere em nada. Tínhamos 30 meses de obra (prazo para entrega), mas a ideia é antecipar e fazer em 24, 25 meses. Queremos surpreender e entregar cinco meses antes - disse Walter Torre.


Meu Jogo Inesquecível: Diana Bouth sabe por fax bomba de RC no Verdão

Apresentadora estava no Japão e recebeu recado da mãe avisando que lateral do Palmeiras havia feito um gol quase do meio de campo


Louca por esportes radicais, Diana Bouth gosta da adrenalina que envolve o skate e o surfe. Nas ondas do mar, acaba cercada pelo azul das águas e o verde da mata, que também dá o toque especial no seu lar, em São Conrado. Ali, quando a apresentadora de TV está na companhia de seus grandes amores, o filho Pedro. o marido, o surfista Simão Romão, e a mãe, a atriz Ângela Figueiredo, gosta também de curtir boa música. Rap, soul, reggae... O gênio Bob Marley é um dos seus preferidos, a ponto de ganhar como homenagem uma bela estampa em sua prancha.

O sentimento de amor que mais a surpreendeu, no entanto, surgiu do outro lado do mundo. Quando iniciou carreira de modelo com 14 anos, Diana passou um tempo no Japão. Lá, era enorme a saudade do Brasil. E a curiosidade para saber informações do Palmeiras. Foi quando recebeu, da mãe, a notícia que mudaria a batida de seu coração. E que a faria se perguntar, como o querido Bob na conhecida canção: "Is this love, is this love, that I'm feeling?..."

Diana Bouth (Foto: ANDRÉ DURÃO / Globoesporte.com)

- Na época não havia email nem celular. Eu me comunicava com minha mãe por fax a cada dois dias . Naquele, ela começou a mensagem de forma diferente. Em vez de "Oi, minha filha, como você vai, estou morrendo de saudades", ela mandou assim: "Você não sabe. No jogo da Libertadores, o Roberto Carlos fez um gol quase do meio de campo, e o Palmeiras venceu o Grêmio por 3 a 2." Olha, foi incrível. Achei surreal a emoção que esse fax me causou do outro lado do mundo. Ali, tive a certeza de minha paixão pelo Verdão - disse a apresentadora, prestes a estrear programa no GNT, "Mãe & Cia.", com dicas para cuidar bem dos filhos.

A bomba santa de Roberto Carlos que chegou por fax para Diana Bouth foi o primeiro dos três gols marcados pelo Palmeiras no triunfo no dia 21 de fevereiro de 1995. O jogo inesquecível, que a apresentadora não viu, foi a estreia dos clubes na Libertadores, e os ventos pareciam soprar a favor do time paulista, cheio de craques.

Os rivais voltariam a se enfrentar nas semifinais. Os gaúchos eliminaram o Verdão em jogos com duas goleadas - a primeira, de 5 a 0, a favor dos tricolores, e a segunda, por 5 a 1, emocionante, para os alviverdes - e dispararam rumo ao segundo título sul-americano. Nada que abalasse as boas lembranças de Diana, uma carioca que escolheu um clube paulista para torcer.

- Quando brincam comigo por isso, costumo dizer que sou uma cariolista ou paulistoca. Fui para São Paulo dos 7 aos 17 anos. Uma fase importante. Minha primeira experiência com futebol tinha sido no Maracanã, com meu avô, rubro-negro, mas não me empolguei. Aí, em São Paulo, minha família de lá e meu padrasto - o músico Branco Mello, dos Titãs - são, na maioria, palmeirenses. Ainda por cima, gostei da camisa verde logo de cara. E o Palmeiras começava a montar aquele timaço, a Parmalat patrocinando... Não deu outra: passei a ir aos jogos.

Diana Bouth (Foto: ANDRÉ DURÃO / Globoesporte.com)O

No Palestra Itália, a proximidade com o campo permitia à menina Diana ver de perto seu grande ídolo, o lateral Roberto Carlos. Ela era uma entre tantas que não gostavam só do futebol do lateral-esquerdo como também das tão faladas coxas. Nem o fato de o jogador ter parado recentemente no Corinthians abalou a admiração pelo ídolo.

- Depois de conviver muito com esporte e, principalmente, de saber numa entrevista que Roberto Carlos confessava ser santista de infância, passei a entender melhor essas coisas. Isso está bem resolvido. A grande frustração da minha vida, na verdade, foi nunca ter conseguido conhecê-lo pessoalmente. No minimuseu da minha família, temos luvas do Marcos, camisas do Cafu, Denilson, Edmundo... - afirmou Diana, que já foi apresentada a outros craques daquele time bicampeão brasileiro em 1993-94, depois paulista de 1996 - todos comandados pelo técnico Vanderlei Luxemburgo.

Diana Bouth (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

Na partida contra o Grêmio pela Libertadores em 1995, o técnico era Valdir Espinosa. E Edmundo foi o grande nome daquela partida, que começou com o gol surpreendente de Roberto Carlos, em falta cobrada pouco depois do círculo central do meio de campo, aos 18 minutos. O Grêmio, aguerrido em campo, empatou com Jardel, aos 37.

Veio o segundo tempo, e Rivaldo, outro ídolo de Diana, desempatou aos 11. A partida, emocionante, esquentou quando Goiano empatou dois minutos depois. Mas o dia era de Edmundo, que marcou o terceiro aos 24, sacramentando a vitória palmeirense. A vibração, eufórica, justificava o apelido de Animal dado pela torcida alviverde. E assim que voltou do Japão, Diana Bouth fez questão de ver, pela fita cassete, os melhores momentos de seu jogo inesquecível.

Depois, a apresentadora teve outros ídolos palmeirenses. Djalminha, Paulo Nunes... Ainda chegaram o goleiro Marcos e o técnico Felipão, esses fundamentais na conquista da Libertadores de 1999. Com os anos, passou a acompanhar mais o Verdão pela TV. Morando no Rio, fica triste quando o filho, Pedro, e o marido, o surfista Simão Romão, sofrem após as derrotas do Botafogo. Não que tenha se tornado alvinegra. Mas acha melhor ver a casa toda feliz.


Adriano vai enquadrar camisa do gol em Ceni e diz: 'Posso ser o dono da 9'

Atacante diz que tento tirou um enorme peso das suas costas e que ele tem tudo para dar certo jogando ao lado de Kleber e Valdivia


O primeiro gol em um clássico marca a carreira de um jogador. E com o baiano Carlos Adriano da Sousa Cruz, o Adriano Michael Jackson, não é diferente. Tanto que o camisa 19 do Verdão, autor do tento que evitou a derrota da equipe comandada por Luiz Felipe Scolari no clássico contra o São Paulo (1 a 1), no último domingo, vai enquadrar na sala da sua casa a camisa usada no final de semana. O atacante, em conversa com a reportagem do , disse que isso servirá como um amuleto para que ele possa continuar com sua maré de sorte, se tornar titular do Verdão e, ao final da temporada 2011, ser contratado em definitivo pelo clube de Palestra Itália.

Adriano Michael Jackson com a família (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)

- É uma emoção diferente. Eu entrei e pude ajudar meus companheiros. Isso mostra que estou sempre à disposição. Um clássico é especial, tem toda aquela expectativa. Toda vez que precisar de inspiração vou olhar para essa camisa para lembrar que um dia eu fiz um gol em um clássico e no Rogério Ceni. Sempre o admirei como jogador, ele é um ídolo de muitos. Vou guardar esse gol com carinho. Espero que possa marcar muitos outros para que, no final do ano, o Palmeiras possa ficar comigo de vez – afirmou o atacante, que tem os direitos federativos presos ao Fluminense.

Ao lado da família, Adriano comemorou o dia seguinte do clássico. Enquanto conversava com a reportagem, na entrada do salão do prédio onde mora, algumas pessoas pararam e ficaram observando. E o jogador ficou o tempo todo com uma pequena televisão nas mãos. Dá para dizer que ele reviu o gol marcado umas trinta vezes, pelo menos.

- Quero ver sempre, não é toda hora que se faz gol em clássico – disse o camisa 19, que veio para a capital paulista com toda sua família. Moram com ele a mulher Ana Cláudia, o filho Adriano Júnior, a sobrinha Michelle e a irmã Andréa.

Adriano revê o gol pela TV  (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)

Hoje, Adriano comemora. Mas ele poderia estar lamentando. Afinal, pouco antes de marcar o gol de empate, o atacante perdeu uma excelente chance. Após passe de Kleber, ele invadiu a área e bateu no canto esquerdo de Rogério, que espalmou parcialmente. No rebote, o camisa 19 parou novamente no goleiro são-paulino.

- Esse gol tirou um peso enorme das minhas costas. Se o Palmeiras tivesse perdido o jogo, poderiam me culpar pela chance que perdi. Mas futebol é assim mesmo. Tive forças, não desisti de lutar e marquei um gol que salvou a nossa equipe da derrota. O engraçado é que eu sou destro e reconheço que o lance desperdiçado era mais fácil de ser marcado do que o que entrou. De pé esquerdo, não tem muito jeito, é bater cruzado e forte. No direito, você tenta uma graça, busca bater do lado de dentro do goleiro. Mas serve como aprendizado para que eu não falhe nas próximas vezes - ressaltou o jogador.


O candidato a artilheiro palmeirense aproveitou a boa atuação no clássico para mandar um recado para Felipão e para o torcedor alviverde: ele pode ser o camisa 9 que o clube tanto necessita.

- Sou um cara que sabe fazer essa função. Jogava assim no Bahia, mais centralizado na área, com a chegada do Jael e do Morais. Aqui no Palmeiras, com a qualidade que o Valdivia e o Kleber têm, a bola vai chegar redonda toda hora. Aí é só saber aproveitar as oportunidades. Mas respeito o professor Scolari e cabe a ele escolher se quer jogar com dois atacantes. O que eu posso dizer é que estou preparado para ser o camisa 9 que o clube tanto precisa – concluiu.

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