domingo, 20 de março de 2011

PAPO DE BOLA PLUS !

"PM de Domingo" (edição 5)

Por mais de um mês, a seção "PM de Domingo" não foi publicada. Ora eu tinha falta de tempo para conseguir entrevistas, ora alguns contatados não davam retorno, ora essa miserável negociação da hora tomava a frente do espaço. Mas hoje acaba o jejum - e em dose dupla, como vinha sendo nas edições anteriores. Para hoje, peguei dois cronistas da Rede Globo. Um é Linhares Júnior, narrador do Sportv, e o outro é José Ilan, colunista do GloboEsporte.com. Espero que gostem.

"PM de Domingo" com Linhares Júnior

Narrador do Sportv em São Paulo, fez carreira em Curitiba por mais de duas décadas, em rádio, TV e jornal. Recentemente, foi a voz do canal da Globosat na campanha vitoriosa do Brasil no Sul-Americano Sub-20, transmitindo direto do Peru o título, que também valeu classificação para a Olimpíada de Londres.

Você sempre quis ser narrador? Como, quando e por qual inspiração começou esta atividade?
Aos 10 anos descobri minha vocação. Jogava futebol de botão e montava um "circo" para realizar os jogos. Construía estádios, colocava torcidas, inventava os nomes dos times e as escalações. Fazia tudo. Narração, comentários, entrevistas, intervenções dos repórteres e plantões esportivos, e até o barulho da galera e o foguetório quando os times entravam em campo. Foi lá que comecei! Eu mesmo desenhava os uniformes. Gostava de desenhar também, e isso me levou para o curso de arquitetura na Universidade Federal do Paraná. Em 1983, iniciei de fato a carreira como repórter e, logo, comecei a narrar. Fiz jogos de futsal e categorias de base na Rádio Paraná. Meu primeiro jogo oficial foi Botafogo 3 x 1 Coritiba, no Maracanã. Quem me lançou foi o Sidnei Campos, na Rádio Paraná.

Em Curitiba, você era narrador também de rádio. Não bate alguma vontade de voltar a fazê-lo?
Olha, honestamente não penso em fazer rádio no momento. Acho muito legal. Ouço todos os dias e adoro ouvir futebol pelo rádio. Mas acho que os off-tubes estão matando os narradores de rádio. A coisa mais atraente nas narrações de rádio é a vibração dos locutores, o que não conseguimos trancados no estúdio, sem estar envolvido com o ambiente da torcida e do jogo. Isso faz uma diferença enorme, creia. O rádio perde a vida quando o narrador está no estúdio. É bem diferente fazer um off-tube na TV e no rádio.

Em linhas gerais, como avalia o nível das condições de trabalho nas cabines dos estádios de futebol?
Vamos do 0 ao 10! Temos cabines que nos deixam deprimidos. Já fiz jogo sem ver um lado do campo (Taboão da Serra, na Copinha) ou, então, dentro de um container com o sol batendo de frente (Hortolândia, também na Copinha). Mas também já trabalhei em lugares com ar condicionado e até espelho do chão ao teto pra arrumar a fachada (risos). Isso foi na Ilha do Retiro. Acho que o Rembrandt Júnior mandou fazer a decoração (risos). Mas, no geral, as condições são boas, principalmente no Brasileirão.

Recentemente, foi com sua voz a trajetória do Brasil no Sul-Americano Sub-20. Como foi esta experiência, ainda mais no local?
A melhor da minha carreira. Tinha feito a Copa do Mundo no México, em 86, pela Rádio Cidade de Curitiba, e a Fórmula 1 em 87. Mas o Pré-Olímpico foi fascinante em todos os aspectos. A equipe era ótima, entrosada e decidida pelo mesmo propósito. Tudo funcionou por música e os jogos do Brasil marcaram a maior audiência do Sportv em Janeiro e Fevereiro. Este resultado me encheu de orgulho porque conseguimos cumprir nossa missão da melhor maneira possível. Vivemos o evento com intensidade, todos os dias. Gravei algumas participações e, sempre que tenho uma chance, dou uma olhada pra matar saudades.

Tem algum projeto profissional que você gostaria de fazer, qualquer que seja? Se sim, qual?
Atualmente, penso em construir um blog e escrever um pouco para divertir os amigos. Gosto muito de escrever, e um blog me faria exercitar esse vício. Um dos trabalhos que mais curti foi o livro "O Mundo Sobre Duas Rodas", que escrevi para o aventureiro Thiago Peretti, que deu uma volta no mundo com uma motocicleta e andou pelos cinco continentes em 2 anos e 2 meses, percorrendo 110 mil km. Fiz assessoria de imprensa pra ele e, quando voltou, escrevemos o livro juntos. Escrever um novo livro seria outra coisa interessante.

"PM de Domingo" com José Ilan

Blogueiro do GloboEsporte.com, autor do "Ilan House", também apresenta coberturas em vídeo do portal e seus destaques em chamadas exibidas no "Globo Esporte". Na televisão, atuou na própria Globo e na Manchete. No rádio, trabalhou na Tupi. Seu perfil no Twitter é alvo de muitas repercussões e comentários.

Quando você decidiu ser jornalista e cobrir esportes?
Foi quando me arrependi de estar fazendo faculdade de publicidade. Enfim, já estava no curso de comunicação, foi só corrigir o rumo. Descobri logo nos primeiros períodos que publicidade era o ofício de, muitas vezes, iludir as pessoas para que comprassem algo que não precisavam ou não queriam. Seria trabalhar, de certa forma, com a mentira. E não gostei disso. Gosto de verdades, mesmo que duras e desconfortáveis. Percebi que o jornalismo era algo bem mais próximo disso.

Você começou na Super Rádio Tupi. Gostaria de voltar ao rádio um dia?
Sim, adoro o rádio. É uma grande escola e um companheiro de qualquer hora. Hoje em dia, tomo banho ouvindo rádio esportivo! Se um dia tiver uma chance que possa conciliar com o momento, volto com prazer. E talvez faça rádio musical um dia. De preferência, com aqueles programas com músicas do Rei Roberto Carlos!

Você trabalhou na extinta Rede Manchete. Fale um pouco do seu período nesta mítica emissora.
Foi uma ótima fase, onde, em quatro anos, cobri uma Copa do Mundo (1998) e uma Olimpíada (1996). Tenho saudades da Manchete e da discreta elegância da emissora. Me amadureceu para a TV e foi fundamental na minha trajetória.

Há alguns anos, saíste da TV Globo para o GloboEsporte.com. Por que da troca da televisão para a Internet?
Porque estava saturado de fazer reportagem na TV. Aliás, fui repórter esportivo de rádio e TV durante 20 anos. Acho que minha cota foi bem dada. Hoje, faço reportagens eventualmente, algumas especiais para o site ou até mesmo para a TV, mas em bem menos quantidade. O dia-a-dia já não me encantava mais, estava realmente cansado da rotina de treinos em clubes. E a Internet era algo novo e arriscado, aparentemente. Mas encarei e acho que fiz a escolha certa. Meu trabalho vai bem no site e tenho prazer com ele.

Seu perfil no Twitter é bastante acessado, principalmente por curiosos que desejam saber seu time do coração. Afinal de contas, qual é seu time?
Nunca tive problema em dizer meu time, até para torcedores que me perguntavam nas ruas ou nos estádios. Mas as redes sociais são máquinas de propaganda em massa. Se você diz algo, aquela informação se reproduz em minutos para milhares, até milhões de pessoas. Não preciso dizer meu time para estes milhões, não tem por quê. Sou jornalista esportivo, tenho time como pessoa física, mas ele é irrelevante no meu trabalho. As pessoas querem saber para te acusar ou suspeitar do que você diz sobre algum assunto. Agora que virei comentarista e colunista, não acho adequado.

Próximos papos
Sugiram entrevistados para o "PM de Domingo" pelo papodebola@gmail.com. Grato ficarei. E recuperem edições anteriores pelo link "Leia Colunas Anteriores" no final desta coluna, lá embaixo.

A negociação da hora

Sim, até hoje esse assunto torra minha paciência (risos). Mas poucas notinhas, só para marcar número mesmo:

*Na negociação com Flamengo e Corinthians, apesar de lhes oferecer a mesma grana que pagará a Vasco, Santos, Palmeiras e São Paulo, a Globo combinou uma remuneração maior ao rubro-negro e ao alvinegro se a audiência de suas partidas exibidas for mais alta (fonte: Lauro Jardim, "Radar Online" de Veja).

*Pacotão do "Painel FC" da Folha de S.Paulo: Andrés Sanchez vai ignorar a proposta de R$ 100 milhões da Record ao Corinthians por achar que o tema deve ser tratado pessoalmente, e não gostou do envio por meio de um portador, além de não garantir a exibição de 19 jogos do clube em canal aberto pois essa atribuição não é sua; Arnaldo Tirone conversará com a Record nesta terça e com a Globo após esta fechar negociações com Corinthians e Flamengo; o presidente do Palmeiras já teria uma minuta do contrato proposto pelos globais, com valor menor que o oferecido ao Timão e ao Mengão; e o anúncio de acordo do Goiás com a Globo sob argumento da RedeTV! não ter afiliada no Estado iria contra o pregado por diretores da ganhadora da licitação do C13, segundo os quais a emissora não teria a menor preocupação sobre a estrutura para fazer transmissões do Campeonato Brasileiro.

*Apenas uma amável pergunta para confirmação ou desmentido de leitores locais: a RedeTV! não tem a VTV de afiliada em GO? Ou pensei errado esse tempo todo?

*Correio do Povo publica aqui muitas broncas de Luiz Carlos Reche com o cenário atual: espera que o Grêmio não lamente no futuro o acordo feito com a Globo, ganhando R$ 46 milhões por ano em todas as mídias; afirma que não cabe ao presidente Paulo Odone analisar exposição de marca, alcance de emissora de TV e audiência, por achar isso secundário e que o importante é o dinheiro, tanto que o COI está feliz com os US$ 60 milhões pagos pela Record pela Olimpíada de 2012, e que às vezes fica a impressão de alguns dirigentes trabalharem em determinada emissora tamanha é a defesa; fala da "antiga amiga" Globo apunhalar Fábio Koff pelas costas; e pergunta de onde sairá o dinheiro para pagar aos clubes, se a TV detentora do campeonato reclamou do patamar mínimo estabelecido pelo Clube dos 13.

*Goiás fechou com a Globo por algo em torno de R$ 28 milhões por ano, mais que os R$ 24 milhões que receberia se fechasse o contrato da RedeTV!. O valor será reduzido apenas se o clube não conseguir retornar à Série A até 2014. Neste 2011, diferentemente do que ocorria com clubes rebaixados pertencentes ao Clube dos 13, a cota do Esmeraldino não será reduzida em 50% (fonte: André Rodrigues, Rádio 730).

"Rádio PB"
Também o podcast publicado neste domingo tem a negociação da hora como assunto. Destaco uma reportagem muito boa do UOL Esporte sobre o número 1 da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, que mostra algumas de suas mais importantes participações como executivo da emissora e procedimentos adotados em determinadas situações para delas sair vencedor. O áudio dura 12 minutos e pode ser escutado aqui.

Afogando em números
Grêmio x Caxias, final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho, foi o programa de TV mais visto na Grande Porto Alegre na semana de 7 a 13 de Março. Rendeu à RBS TV 39 pontos de média e 62% de participação (fonte: "Tele Tudo" do "TV + Show" de Zero Hora).

Mais uma de Zero Hora
Ao inaugurar em sua coluna a seção dominical "O Bola-Bola da Semana" para a personalidade do futebol mais destacada na semana (o primeiro lembrado foi Leandro Damião, do Internacional), Paulo Roberto Falcão aproveitou para explicar a origem do apelido "Bola-Bola": foi inventado pelo ex-jogador Zoca, que acompanhava os treinos da base do Colorado. Um dia, Zoca soube que o clube queria promover Falcão ao grupo principal, mas este ainda tinha mais um ano como juvenil e queria ficar onde sabia que era titular. Recebeu esta resposta: "com essa bola que tu jogas, que nem é bola, é bola-bola, serás titular em um mês". Assim surgiu o apelido.

Welcome, Mr. President
O primeiro jogo de Milton Leite como narrador efetivo da TV Globo (sem deixar o Sportv, onde continuará transmitindo e fará Santos x Mogi Mirim na próxima quarta) não passou na íntegra. Corinthians x Sporting, pelo Mundialito de Futebol de Areia, teve alguns minutos não mostrados devido ao plantão com Barack Obama no Palácio do Planalto. De outra forma, o "Esporte Fantástico" da Record fez apenas duas rápidas interrupções pois o grosso do plantão do Obama estava na Record News.

Uma da Bandeirantes
Luciano do Valle retorna neste domingo às transmissões, narrando São Caetano x Palmeiras, após duas rodadas fora por estar nos Estados Unidos, onde no próximo domingo tem a estreia da temporada 2011 da Fórmula Indy.

Alguma razão especial para tanto?
A averiguar, surpreendido que fui. Do Twitter do Ronaldo Giovanelli: "Tô fora!!! Não sou tapa-buraco. Estou fora da RedeTV!!!" E agora?

Momento Raridade Rara

De 1985, aqui está (postado por danilorodrigues) Osmar Santos comentando futebol no "Jornal da Globo" e projetando Paraguai x Brasil, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1986.

De 1989, aqui está (postado por danilorodrigues) uma série de chamadas da Rede Bandeirantes. Duas são esportivas: logo no começo, a do "Esporte Total", com Luiz Andreoli e Elys Marina; e a 2:15, algo histórico: a chamada de Brasil x Chile, anunciado para 17h15 de domingo, com transmissão de Sílvio Luiz, Juarez Soares e Mário Sérgio. Sim, este Brasil x Chile anunciado na chamada é aquele, das Eliminatórias da Copa de 1990, da farsa do goleiro Rojas com o foguete que não o atingiu.

De 1996, aqui está (postado por felipemhz) o "Placar Eletrônico", da Globo, com o bloco local do resumo do futebol de São Paulo apresentado por Oliveira Andrade.

De 1997, aqui está (postado por fabionerbas) Internacional x Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, transmitido pela Bandeirantes com Luciano do Valle, Mauro Beting, Ribeiro Neto e Fernando Fernandes. Dos quatro, o Ribeiro nunca saiu da Band desde então e os outros três passaram pela Record naquela fase esportiva da primeira metade dos anos 2000 até retornarem na segunda metade da década.

De 2008, aqui está (postado por jogoscoringao) Corinthians x Juventus, pelo Campeonato Paulista. Foi a primeira transmissão do Linhares Jr. como efetivo narrador do Sportv/PFC, importado que foi de Curitiba, onde conciliava os próprios dois canais e mais RPC TV e Rádio CBN.

De 2008, aqui está (postado por lino1961) uma das últimas grandes coberturas de José Ilan pela TV Globo: LDU x Fluminense, a decisão da Copa Libertadores. A reportagem do vídeo foi em Quito, palco do jogo de ida, e exibida no "Globo Esporte" (naquele ano conjunto para RJ e SP), com Glenda Kozlowski e Tino Marcos.

Um comentário:

  1. Ola, Eu gostaria mandar um email ao Ogamar Linhares Jr mas eu nao achei um endereço mais recente. Eu estou mandando esse mensagem pra verificar se e possivel falar com ele. Gostaria fazer uma pedida especial. Sinceramente, Akemi Montreal, Canadá

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