Peixe espera que Neymar atue como cabo eleitoral para acerto com Ganso
Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, presidente do Santos, afirma que craque alvinegro deveria ouvir a opinião do seu 'irmãozinho'

O Santos espera contar com seu menino prodígio para tentar encerrar de uma vez o imbróglio em que se transformou a ampliação do contrato de Paulo Henrique Ganso. Apoiado na amizade que existe entre Neymar e o camisa 10 alvinegro, o presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro acredita que o atacante pode atuar como uma espécie de cabo eleitoral do Peixe.
Neymar teve seu contrato renovado pelo Santos em agosto passado, depois de recusar um salário de cerca de € 4 milhões (R$ 9 milhões) por ano, mais luvas, oferecidos pelo Chelsea, para permanecer no Brasil. Desde então, o acordo do atleta com o clube passou a valer até o fim de 2015, e a multa, a partir de 1º de dezembro de 2010, subiu para € 45 milhões (R$ 101 milhões) - antes era de € 35 milhões (R$ 79 milhões). Os vencimentos do atleta também aumentaram. Entre salários pagos pelo Alvinegro e acordos publicitários, estima-se que o atacante receba algo em torno de R$ 500 mil.
- O Neymar é um aliado do Santos. Ele já teve o seu contrato revisto e poderia falar para o Ganso que não está arrependido do que fez. Se for perguntado, o Neymar vai dizer que tomou a decisão certa. O Ganso deveria ouvir o seu irmãozinho - disse o presidente santista, lembrando a forma carinhosa como os dois atletas se tratam.
Santos e Ganso conversam sobre algumas mudanças no contrato do atleta desde agosto passado. As tratativas esfriaram durante o período em que o meia precisou deixar os gramados para tratar uma lesão no joelho esquerdo, há cerca de sete meses. No entanto, desde o mês passado, Paulo Henrique tem tornado pública a sua insatisfação pela demora.
O grande problema é o valor da multa. Os representantes do jogador nem fazem tanta questão de um aumento substancial. Na verdade, os valores oferecidos pelo clube agradaram. O contrato seria ampliado também por mais um ano, até 2016. O problema é que eles querem uma diminuição no valor da multa rescisória, atualmente estipulada em € 50 milhões (aproximadamente R$ 113 milhões). O objetivo é convencer o Peixe a baixar para um valor entre € 35 e 40 milhões. É uma tentativa de tornar viável uma negociação para o exterior, já que a multa atual assusta até mesmo os endinheirados clubes europeus.

- Ele e os seus representantes procuram atender aos seus interesses e isso é legítimo. A multa é um elemento inibidor de assédio e um instrumento para proteger o clube. A proposta que fizemos é de primeiro mundo, de futebol europeu, suportada por uma série de ações de marketing que ele pode desenvolver com a ajuda do Santos, como estamos fazendo com o Neymar. Essa semana temos um jogo decisivo, contra o Colo Colo (quarta-feira, no Chile, pela Libertadores), mas espero que isso se resolva até a semana que vem - afirmou o dirigente.
Enquanto as conversas entre Santos e os representantes de Paulo Henrique Ganso prosseguem, o atleta segue sendo blindado pelo clube, que evita o colocar em entrevistas coletivas oficiais, com as marcas dos patrocinadores por trás. Teme uma nova explosão de insatisfação diante da marca dos apoiadores do clube. Na sexta-feira passada, estava prevista uma conversa do jogador com os jornalistas, que foi cancelada pelo Peixe. O mesmo ocorreu no sábado, depois da vitória por 2 a 1 sobre o Botafogo-SP, pelo Paulistão, que marcou o retorno do meia aos gramados - a assessoria do clube alegou que o atleta demoraria muito no exame antidoping. Na chegada da equipe a Santiago, na última segunda-feira, o jogador atendeu a imprensa rapidamente no aeroporto da capital chilena. O jogador tem concedido entrevistas individuais, marcadas por intermédio de sua assessoria pessoal.
Martelotte confirma Ganso como titular do Peixe contra o Colo Colo
Camisa 10 santista volta a iniciar uma partida depois de ter ficado seis meses parado por conta de uma lesão

Paulo Henrique Ganso voltará a ser titular do Santos. Antes de embarcar com o elenco para o Chile, onde a equipe enfrenta o Colo Colo pela fase de grupos da Taça Libertadores, o técnico interino Marcelo Martelotte confirmou a presença do meia entre os titulares do Peixe.
Ganso voltou a jogar pelo Alvinegro no sábado passado, quando o Peixe bateu o Botafogo-SP por 2 a 1, na Vila Belmiro. O atleta passou os últimos seis meses se recuperando de uma lesão no joelho esquerdo. Na rodada passada do Campeonato Paulista, ele atuou nos últimos 45 minutos de jogo, iniciando a jogada do primeiro gol santista e marcando o segundo.
- A possibilidade maior é que ele comece o jogo contra o Colo Colo. Pelo o que a gente viu, pelos 45 minutos que jogou no sábado, ele mostrou que está preparado para nos ajudar ao máximo. Ainda não sabemos por quanto tempo ele vai suportar, mas é importante contar com um jogador com a qualidade dele desde o início do jogo - disse o treinador ao site oficial do clube.
Martelotte ainda comentou que o time contra o Colo Colo deverá ser o mesmo que iniciou a segunda etapa contra o Botafogo-SP. Isso porque o lateral-direito Jonathan sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda ainda no primeiro tempo do jogo com o time de Ribeirão Preto. Assim, Pará ganharia nova oportunidade no lado direito da equipe alvinegra.
Assim, a formação inicial para enfrentar o Colo Colo deverá ser: Rafael, Pará, Edu Dracena, Durval e Léo; Adriano, Danilo, Elano e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Zé Eduardo.
Santos tenta demover Muricy, mas considera esperar por definição na Libertadores
Muricy Ramalho está irredutível. Não aceita a transferência para o Santos sem antes tirar ao menos 30 dias de férias. O período de descanso desejado passa justamente pela definição do rumo do alvinegro na Libertadores. O clube entra no mês decisivo de disputa na competição, segue em busca do acerto com Muricy para a próxima semana, mas topa aguardar pela definição da vaga antes de contratar o treinador.
Nos próximos 36 dias, o Santos terá realizado todos os quatro jogos restantes na fase de grupos. A diretoria, que já trabalhava com a possibilidade de esperar por Abel Braga até o fim de maio, quando termina o contrato do treinador com o Al-Jazira, dos Emirados Árabes, obviamente não vê problema em esperar por Muricy até o fim de abril.
“Estamos cientes do pedido de descanso dele, e não vamos negociar com ninguém essa semana. O Muricy pode folgar 15, 30 dias, e ainda se adequar ao projeto do Santos. É um treinador de ponta, e sempre vai nos interessar”, disse o presidente do clube, Luiz Alvaro de Oliveira Ribeiro.
PROGRAMAÇÃO DE TV
A negociação com o treinador vai esquentar a partir do fim da partida contra o Colo-Colo, em Santiago, no Chile, nesta quarta-feira. O Santos vai lutar pelo acerto imediato, mas está ciente do histórico de Muricy de não acertar rapidamente a ida para um novo clube após sair de outro.
NEYMAR DEFENDE MURICY
Neymar foi o único jogador do elenco que demonstrou ser favorável ao acerto imediato com Muricy Ramalho, na primeira etapa do embarque santista rumo a Santiago, do Chile. O atacante, diferentemente dos demais, não se preocupou em defender a permanência de Marcelo Martelotte no comando do time.
"Eu aprovo o Muricy, sim. Todo o Brasil apoia o Muricy. É um grande treinador, todos sabem da capacidade dele", disse Neymar, cercado por jornalistas e tietes.
Entre a demissão no São Paulo e o acerto com o Palmeiras, o treinador teve 32 dias de descanso. Da saída do alviverde a chegada ao Fluminense, o período de férias, na época também exigido por Muricy, foi ainda maior, e durou 67 dias.
O treinador carrega a fama de “turrão”. Em 2009, negociou a vinda para o Santos logo após a queda no São Paulo, mas o desejo imediato em contratá-lo acabou inviabilizando o acordo. O alvinegro, então presidido por Marcelo Teixeira, e sem treinador depois da demissão de Vagner Mancini, acertou com o ‘plano B’, Vanderlei Luxemburgo, outro em disponibilidade no mercado.
Muricy já deixou claro que prefere não interferir no atual trabalho realizado Marcelo Martelotte. O ainda interino tem pouco prestígio com a diretoria, mas terá a chance de pressionar os cartolas por uma efetivação caso consiga conquistar com sobras uma vaga à fase de mata-mata na Libertadores. Ao aguardar por Muricy Ramalho, esse é o grande risco que o Santos vai correr.
“Já conversamos com Marcelo e ele sabe o que a diretoria pensa. Não precisamos repetir as coisas”, disse o diretor de futebol do clube, Pedro Luiz Nunes Conceição, evitando precisar o posicionamento.
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