terça-feira, 12 de abril de 2011

Repasse da multa rescisória de Ganso gerará discórdia


Se perder Ganso pela multa, Peixe deve ampliar briga com a DIS

Paulo Henrique Ganso - (Foto: Ivan Storti) Paulo Henrique Ganso já disse que quer jogar fora do Brasil

O Santos bate o pé e diz que não tem interesse em vender Ganso. Mais do que isso, acredita em um "pacto de respeito" para não arranhar a relação com o Corinthians e, consequentemente, perder o seu camisa 10. Mas, caso o rival resolva agir, o clube pode estar preparado. O contra-ataque seria não satisfazer financeiramente totalmente uma das partes primordiais na negociação.

Na divisão dos direitos econômicos, 45% pertencem ao Santos, 45% à DIS e os outros 10% ao jogador.

A exemplo do que aconteceu, principalmente, na negociação de Wesley, caso depositem a multa de cerca de R$ 60 milhões – o clube só entende que deve liberar pelo pagamento integral – possivelmente abrirá precedente para ampliar ainda mais a briga com o Grupo DIS.

– Caso ele (ganso) queira (ir para o Corinthians), precisa fazer o depósito de 100% da penalidade, cujo valor está fixado. Aí pode romper unilateralmente. Se o empregador vai passar a terceiros, é um assunto posterior. O Santos tem direito em qualquer hipótese a multa integral. Os terceiros devem postular e no caso temos uma discussão judicial – diz Fábio Gonzalez, advogado do Peixe.

O Santos se defende como pode, enviou à Federação Paulista de Futebol (FPF), à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e à Fifa um histórico de atos aliciatórios (veja mais ao lado) do Milan e da Internazionale de Milão, ambos da Itália.

Paulo Henrique rejeitou a última proposta de renovação do Santos, a ideia é ter no papel a garantia de que a multa contratual para o exterior vai mesmo ser reajustada, enquanto o clube se garante justamente por isso e desconfia de uma possível ousadia do rival.

– Não queremos abaixar (a multa) e não temos interesse em vender – conclui Luis Álvaro Ribeiro.

Artifícios santistas para manter Ganso no Peixe

Diminuição da multa

Apesar de o presidente Luis Álvaro Ribeiro dizer que não cogita a diminuição da multa, a situação pode ser usada como artifício em caso de desespero para não perder o atleta, ainda mais para o rival.

Lado emocional

O Santos deve apelar, também, para o lado emocional para convencer Ganso de não se transferir para o Corinthians.

Por ter começado a carreira no clube da Vila Belmiro, pessoas ligadas ao Peixe tentarão convencer o atleta a não "manchar" a carreira com uma saída pelas portas do fundo. Além disso, atualmente ele vem sendo um dos jogadores que recebem mais carinho por parte dos torcedores.

Título da Libertadores

O título da Copa Santander Libertadores pode pesar a favor do Santos para tentar manter o atleta. Se vencer a competição continental, o Peixe disputará o Mundial de Clubes no fim do ano. Os títulos poderiam agregar ainda mais financeiramente para ele.

Opinião dos especialistas

Gislaine Nunes - Advogada jurista desportiva

- Ou o DIS paga 100% do valor da cláusula penal definida em contrato (multa rescisória para clubes nacionais), que é de 100 vezes o valor do salário, ou nada feito. Não adianta pagar apenas os 45% referentes à parte do Santos, assumir que abre mão da parte que cabe à empresa (45%) e ao atleta (10%), e entrar na Justiça pedindo a liberação do atleta. Nenhum juiz aceitaria essa situação.

Marcos Motta - Advogado jurista desportivo

- Essa situação não está prevista em lei. Vai de juiz para juiz. O juiz pode dizer que se o DIS pagar os 45% do valor, o atleta está liberado, como pode dizer que tem de ser pago 100%. Isso é briga para mais de cinco anos na Justiça. Mas, por via de liminar, o juiz pode liberar o jogador para trabalhar em outro clube.

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