terça-feira, 3 de maio de 2011

Alerta do "Capita" faz Flu aumentar efetivo no Defensores


Carlos Alberto Torres lembra de sua experiência no estádio em Assunção, palco do jogo decisivo desta quarta

O gramado do estádio Defensores del Chaco é bom, mas o baixo alambrado preocupa (Foto: Felipe Bruno) Baixo alambrado traz preocupação por segurança 
A ordem de cuidado vemde uma pessoa que sabe do que está falando. No dia 12 de junho de 1964, na primeira partida entre Fluminense e Libertad na história dos clubes, um jovem lateral-direito pisava no gramado do estádio Defensores del Chaco e conhecia de perto a ira da torcida paraguaia. Carlos Alberto Torres já era titular do Tricolor e confirma o velho ditado popular. Sua primeira impressão do lugar ficou marcada até hoje.


– O campo é muito bom. Mas o grande problema é a segurança. A proximidade da torcida. Não sei se, hoje em dia, essa questão está melhor – disse o Capita.

Como a preocupação não é apenas de Torres, já que a diretoria tricolor providenciou a contratação de oito novos profissionais de segurança. A grande modificação ficou por conta da entrada e saída dos jogadores visitantes, que era realizada por um portão, perto da marca de escanteio.

– Aquilo era complicado. Nós passávamos embaixo dos torcedores, que cuspiam, xingavam. Faziam de tudo. Não tinha nenhuma cerca ou alambrado para proteger – lembra o ex-jogador.

Nesse ponto, as coisas mudaram. Hoje, a entrada de ambos os times é feita por um túnel interno, que dá acesso direto ao campo. Mas o banco do visitante continua próximo às arquibancadas e sem proteção.

– Em 1969, pela Copa América, o João Saldanha (treinador da Seleção), fez todos os jogadores darem uma volta no campo para esgotar a ira da torcida. Acontecia de tudo nessa hora. Mas quando começou o jogo, eles estavam mais calmos – contou o Capita.
MEDIDA POR PRECAUÇÃO
Assessor da presidência, Mário Bittencourt explicou que a contratação de oito seguranças foi uma precaução em virtude da pancadaria ocorrida na Argentina:
– Essa questão da segurança, quem tem que dar é a polícia local. Entretanto, diante daquele episódio na Argentina (contra o Argentinos Juniors), achamos por bem levar oito seguranças além dos dois que nós já temos. Tudo isto para preservar a integridade física dos atletas – disse o dirigente.
PARTES NEGAM RESPONSABILIDADE
A Confederação Paraguaia de Futebol, responsável pelo Estádio Defensores del Chaco, diz não ter qualquer responsabilidade no jogo desta quarta.

– A questão da segurança é com o clube. Nós tratamos quando é jogo da seleção – disse Hernán Flores, um dos administradores do estádio.

Já o gerente de futebol do Libertad, Felipe Montagner, não quis dar falar.

O regulamento da Conmebol diz que a responsabilidade é de ambos.
COM A PALAVRA (Carlos Alberto Torres - Enfrentou o Libertad no Defensores)
Vê como é que são as coisas. Lembro de muito pouca coisa daquele jogo. Quem deve lembrar mais detalhes mesmo é o Altair. Ele era bom de memória. Mas o que ficou marcado na minha cabeça era a dificuldade com os torcedores. A gente sofria para burro no vestiário, antes de entrar no campo. Porque a gente já sabia que não tinha proteção alguma. Que iríamos passar ali, no meio da torcida mesmo.

Era cusparada, xingamento, jogavam uma porção de coisas em cima de nós. Espero que, nessa parte, tenhamudado alguma coisa, porque, no futebol, o Paraguai não mudou nada. Não evoluiu, não produziu grandes jogadores. Continua sendo um bom coletivo. Apenas isso. Não dá para fazer frente ao Fred, ao Conca. Assim como não dava para fazer frente ao Castilho, Procópio, Altair, Oldair. Aquele time de 1964 era muito bom, tanto que acabou conquistando o título estadual daquele ano.

Nenhum comentário:

Postar um comentário