quarta-feira, 15 de junho de 2011

Fiéis às tradições, Santos e Peñarol revivem dérbi mundial por título



Neymar se sentiu tranquilo no gramado do Estádio Centenário e mostrou a conhecida intimidade com a bola. Foto: EFE Neymar é a grande esperança do Santos para conquistar sua terceira Libertadores

Um novo e importantíssimo capítulo da história do esporte será escrito na noite desta quarta-feira. No único estádio tido pela Fifa como Monumento Histórico do Futebol Mundial, o Centenário, Peñarol e Santos se reencontram às 21h50 (de Brasília) para iniciar a disputa final pelo título da Copa Libertadores 2011, exatamente como fizeram em 1962, quando os santistas levaram a melhor.
Donos de duas das camisas mais poderosas do planeta, os dois times cultuam suas próprias raízes ao repetirem, neste ano, o que sugerem suas próprias histórias. Em casa, o Peñarol mostrará mais uma vez seu estilo de jogo aguerrido, concentrado e de pouquíssimos erros nos momentos cruciais, baseado muito mais em aspectos coletivos e individuais.
"Eles vão nos pressionar, não acredito que só vão se defender. Por isso, vamos jogar como temos jogado. Temos um estilo e mudar tudo isso poderia gerar uma desastre. Jogaremos como estamos acostumados", define o técnico Muricy Ramalho. "São aguerridos, muito fortes taticamente. Por isso, temos que ter cuidado", opina Elano. "Nossa equipe tem 11 leões", resume o meia uruguaio Fabián Estoyanoff.
De fato, o Peñarol repete a sua própria história nesta edição da Libertadores. Classificado com uma campanha irregular na primeira fase, o time uruguaio chegou às oitavas na posição 14 entre os 16 finalistas. Assim, precisou superar Internacional, Universidad Católica e Velez Sarsfield sempre jogando longe de seus domínios na segunda partida. O que já fez também em seus cinco títulos na competição sul-americana: 1960 (contra Olímpia), 61 (Palmeiras), 66 (River Plate), 82 (Cobreloa) e 87 (América de Cali), todos definidos fora de seu país.
Muito vazado durante a competição ¿ são 11 gols sofridos em 12 jogos, o Peñarol precisará de muito sucesso em seu sistema defensivo para frear o ataque impetuoso do Santos de Neymar, que tem marcado poucos gols na Libertadores, mas joga com características da escola brasileira: jogadores talentosos, feitos em casa, e com imaginação fértil para as ações de ataque.
"São muitos bons jogadores, muitas individualidades", resume Estoyanoff. "É uma equipe muito boa, com muitos bons jogadores, mas vai jogar em nosso estádio", acrescenta Mier. "Estamos todos com muita vontade de ganhar e essa etapa decisiva reforçou tudo isso em nós. Neymar necessita de seus companheiros, porque não se faz nada sozinho no futebol", opina o meio-campista Pacheco, que era o capitão da equipe e foi parar na reserva.
A única baixa realmente prejudicial para o espetáculo é Paulo Henrique Ganso, que permaneceu no Brasil para se dedicar à preparação física e voltar a tempo de jogar a final do Pacaembu, na quarta da próxima semana. Junto dele estão fora os laterais Jonathan e Léo, que enfrentam problemas musculares sempre que o calendário aperta nos últimos meses. O Peñarol vai com força máxima e gana de fazer história.
Desde já, com 10 participações, a equipe uruguaia é a que lidera o ranking de finalistas da Copa Libertadores, mas persegue outra façanha: se juntar ao Boca Juniors, seis vezes campeão, entre os maiores vencedores. Por ora, o Peñarol fica atrás do próprio Boca e do Independiente, dono de aproveitamento histórico: em sete decisões, o clube argentino levou as sete vezes.

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