O argentino, contudo, também se mostrou preparado para superar o momento adverso em que vive juntamente com o restante do grupo celeste, a começar pelo jogo deste sábado, contra o América-MG, em Sete Lagoas. Para isso, ele conta com o apoio que sempre teve do torcedor celeste:
- Estamos todos no mesmo trem. Vamos dar as mãos para melhorar.
Como foi a semana de trabalho focando a recuperação da equipe?
Montillo: O trabalho é sempre bem-feito. Nós sabemos que o Cruzeiro não tem que estar na posição que está. Acho que a semana foi boa. Que fique o Cuca e que ele tenha o apoio do presidente, porque, para nós, é um treinador importante.
Contra o Santos, você acertou no travessão. Se entrasse, mudava o jogo...
Às vezes acontece. No futebol, você pode estar com sorte, como aconteceu contra o Estudiantes, quando vencemos por cinco gols. Outros jogos, a bola bate na trave, infelizmente. Mas essa sorte o time tem que procurar com trabalho. Quando as coisas melhorarem, voltarão a falar bem de nós.
As críticas estão sendo um pouco exageradas em cima de você?
Eu assumo a responsabilidade que tenho no time, mas, nesta semana, caiu muito sobre mim, algumas palavras que eu não gostei. Eu sei que o futebol é assim. Quando você está bem, todos falam bem. Quando não ganha, muda tudo. Quando falam coisas certas, eu aceito, mas quando não vem de bom jeito, acho um pouco ruim.
Teve algum ponto das críticas que te deixou mais chateado?
Estão falando que eu tenho problemas em casa e por isso estou jogando mal e o time também... O torcedor do Cruzeiro compra o jornal e vê essas coisas... Eu não tenho problema nenhum. Sou um jogador, uma pessoa normal, que pode jogar bem ou mal. Já fiz partidas muito boas no Cruzeiro e algumas ruins, mas sempre deixo tudo em campo. Nem sempre o jogador vai estar bem, mas as pessoas têm pouca memória. No ano passado, fiz vários jogos e só falam de três que eu joguei mal. Então, acho que a memória tem que ser um pouco maior.
Você falou sobre insinuações de que você teria problemas em casa. É justamente na família que busca força e a alegria para jogar?
O pior já passou, com a cirurgia no coração do meu filho (Santino). Eu continuava trabalhando do mesmo jeito. Agora, que está tudo bem, falam que tenho problema em casa. Minha casa, por sorte, está ótima. Meus filhos estão bem, minha esposa me dá apoio. Tenho alguns anos de futebol e não é sempre que o jogador está em uma fase boa. Como falo, só o Messi joga bem todas as partidas e, mesmo assim, ainda falam mal dele na Argentina. Buscam o pior para que seja notícia.

"Assumo a responsabilidade, mas caiu muito sobre mim" (Foto: Gil Leonardi)
Esse tipo de cobrança o motiva a voltar a grande forma?Sim. Não comecei bem o Brasileiro. Contra o Figueirense, não fui bem. Melhorei contra o Palmeiras. Contra o Fluminense, o time não jogou bem. Contra o Santos, acho que fiz uma boa partida. Se tivesse feito um gol mais além do pênalti, ninguém falaria nada... Nós, do futebol, sabemos que fomos bem. Não conseguimos a vitória, mas o time está melhorando.
A cultura do torcedor e da imprensa no Brasil, nos momentos bons e ruins, é diferente dos países que você já viveu, como Argentina, México e Chile?
É parecida, mas, aqui, um dia você pode ser o melhor time do Brasil e depois falam que você tem jogadores ruins e não está em uma fase boa. Acho só que tem de ter um pouco de respeito. Não peço que falem sempre bem. As críticas também são boas para melhorar, mas, quando vem com boa intenção. De má intenção, não ajudam.
Pelas partidas contra o Atlético-MG e o Once Caldas (COL), você ainda acha que tem o desafio de mostrar o seu potencial nos jogos mais decisivos?
Todos os jogos são importantes. O Brasil tem 12 clubes grandes. E se fala de três jogos que errei pênalti ou o time não ganhou. Quando ganhamos, sempre falei que era o time todo que estava bem. Falavam que o Cruzeiro melhorou porque o Montillo chegou. Não acho. Era porque tínhamos 11 jogadores em campo em grande fase. Agora, falo o mesmo. Temos uma fase ruim. Todos nós temos que melhorar para tirar o Cruzeiro de onde está.
A responsabilidade tem que ser dividida?
Futebol é coletivo. Se não, eu jogaria tênis ou outro esporte individual. Aqui, a responsabilidade é de todos. Sabemos que temos de melhorar. Cada um sabe em que ponto precisa melhorar. Somos um grupo bom de jogadores e pessoas, Então, daqui a pouco, vamos esquecer esse mau começo do Cruzeiro. Até porque nenhum time vai jogar 38 rodadas bem. Bom que, conosco, aconteceu no início.

Montillo luta na derrota para o Once Caldas (Foto: Gil Leonardi)
Apesar da falta de vitórias, como está o contato com a torcida nas ruas?A torcida é muito boa. Não tenho problema em sair com meus filhos, a minha mulher, para comprar algo, ir no cinema, essas coisas. A torcida sempre dá apoio. Claro que estão tristes com a fase, mas o futebol é assim.
No ano passado, você e Conca eram elogiados. Hoje, também se cobra do Conca no Rio. Como você vê essa situação? A marcação está mais apertada?
Esse é o ponto que quero chegar. O Conca foi o melhor jogador do Brasil no ano passado, com muito destaque. Com certeza, os outros times vão olhar com maior cuidado para a marcação. Não vão deixar jogar, porque são jogadores que ganham partidas, como D'Alessandro, Lucas, Neymar. Todos os bons jogadores tem marcação diferente. Por isso, o Brasileirão é muito competitivo e difícil.
Você e o Conca têm uma característica em comum, de perder poucos jogos e estar sempre em campo. Quem joga sempre, está mais suscetível às cobranças?
Pode ser isso também. Um jogador que joga 38 rodadas, é difícil que jogue todas bem. Mas é bom não machucar. Isso mostra o profissionalismo. Não que, quem machuca, não é profissional. Mas é preciso ter sorte também. Eu gosto de jogar todas as partidas, com dor ou sem dor. Sou um jogador importante para o Cruzeiro e eles precisam de mim, como eu preciso do time. Nos momentos bons e ruins, tem que mostrar a cara dentro de campo.
Além da família, o que te traz força para trabalhar? O que você busca no momento de lazer?
Quando a fase não é boa para o time, eu chego em casa e esqueço de tudo. Gosto de jogar futebol com os meus filhos, fazer brincadeiras com eles. Acho que todos se apoiam na família nesses momentos, nos filhos ou nas esposas. A felicidade, se não está em campo, tem de acontecer fora dele. Assim, dentro de campo as coisas melhoram também.
Uma mensagem para o torcedor que está chateado com o início do Brasileirão...
Estamos todos no mesmo trem. Vamos dar as mãos para melhorar. Temos de começar com alegria contra o América para o torcedor ver o verdadeiro Cruzeiro. Estamos em falta e precisamos da vitória para termos tranquilidade. A felicidade vai ser quando estivermos no G4 e brigando pelo título. Por enquanto, precisamos das vitórias para chegar até a briga pelo título.
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