domingo, 26 de junho de 2011

‘Pintura da vida argentina’, River tenta evitar o rebaixamento histórico

Milionários precisam vencer o Belgrano por dois gols de diferença, neste domingo, no estádio Monumental de Nuñez, para permanecer na elite

Há exatamente 15 anos, o River Plate batia o América de Cáli e conquistava a segunda, e última, Taça Libertadores de sua história em um Monumental de Nuñez completamente lotado. Neste domingo, às 15h (de Brasília), o estádio estará novamente abarrotado para mais uma decisão dos Milionários. Talvez mais importante do que a de 1996, mas nada, nada digna. A equipe portenha enfrenta o Belgrano, no jogo de volta da “promoción”, precisando vencer por dois gols de diferença para assegurar sua permanência na Primeira Divisão do Campeonato Argentino.

Na partida de ida, em Córdoba e, desde então, virou o assunto principal na terra dos hermanos . O drama do clube de 110 anos, único grande ao lado de Boca Juniors e Independiente que nunca foi rebaixado, colocou em segundo plano Copa América, seleção argentina e, até mesmo, o anúncio que Cristina Kirchner vai tentar a reeleição à presidência do país.

O jornalista Carlos Beer, do diário “La Nación”, inclusive, traça um paralelo com a política do país – que vive grave crise econômica há anos - para explicar os motivos do River Plate estar atravessando momento tão complicado.

- É um clube, assim como a Argentina, com todas possibilidades e vantagens de triunfar e se sustentar . Mas que, devido a más administrações, se recicla de crises em crises – afirmou Beer.

- O River é a pintura da vida argentina. “Que se vão todos, que não fique um só sequer”, disseram os torcedores quando o time perdeu para o Lanús e teve que jogar a promoción. Essa mesma frase foi entoada pela classe média argentina dez anos atrás, cansada das mentiras dos políticos locais – acrescentou o jornalista, se referindo à crise econômica argentina de 2001, na qual o país chegou a ter cinco presidentes em 12 dias.



Pelas ruas de Buenos Aires, rivais tiram sarro dos torcedores do River Plate que, excetuando a manifestação de algumas organizadas mais violentas após a derrota para o Belgrano na última quarta-feira, parecem estar ao lado da equipe nesse momento difícil.
rova disso é a mobilização pelos ingressos - a previsão é que mais de 50 mil pessoas acompanhem o duelo no Monumental - e a vigília feita por centenas de “hinchas” desde a noite de sábado pelas ruas da capital e em frente ao estádio.

Mas, para evitar prováveis brigas e vandalismo no caso de um resultado adverso para o River, a Polícia Federal montou o maior esquema de segurança já vista para um jogo entre equipes no país. Ao todo, 2.500 homens trabalharão na partida que será transmitida para o Brasil pelo Sportv. Para ser ter uma ideia, no superclássico, entre River e Boca, no mesmo local, ano passado, apenas metade desse efetivo foi usado.

Entenda por que o River está nessa situação

Um dos motivos para os torcedores apoiarem o clube, que é o maior campeão nacional com 33 conquistas, numa fase tão ruim é que, além de paixão, eles reconhecem que o atual elenco, o técnico Juan José Lopez e o presidente Daniel Passarella não são totais responsáveis pelo calvário. Afinal, a campanha do último Torneio Clausura até que não foi ruim: o time ficou em 9º lugar, com 26 pontos, posição que lhe garantiria uma vaga na Copa Sul-Americana. O problema foram as temporadas anteriores.

Na Argentina, os rebaixados são definidos pela média dos resultados dos últimos três anos (cada ano conta com dois campeonatos, o Clausura, no primeiro semestre, e o Apertura, no segundo semestre). Depois de levantar o título do Clausura em 2008, a equipe fez sua pior campanha na história no Apertura seguinte, ficando na lanterna.

Em 2009, os Milionários também não foram bem e, no fim do ano, o então presidente José María Aguilar, odiado pelos torcedores, deixou o clube e uma dívida de R$ 70 milhões para o seu sucessor, Passarella. O capitão da Argentina na Copa de 78 até que equilibrou um pouco as finanças do clube, mas, dentro de campo, o ano de 2010 também não foi nada bom. E, em 2011, só uma campanha campeã poderia salvar o time que, nesse triênio caótico, teve seis técnicos diferentes

River desfalcado

Tentando esquecer tudo isso, o River entra em campo neste domingo com três sérios desfalques: os zagueiros Román e Ferrari, além do volante e capitão Matías Almeyda. O técnico JJ López faz mistério, mas deve escalar o seguinte time Juan Pablo Carrizo; Maidana, Alexis Ferrero e Juan Díaz; Affranchino, Ezequiel Cirigliano, Acevedo, Roberto Pereyra e Lamela; Leandro Caruso e Pavone. Esses 11 jogadores tentarão evitar que o dia 26 de junho de 2011 seja o pior da história do River Plate e, até mesmo, do futebol argentino.

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