– A Seleção sempre jogou com um camisa 9 e sempre vai jogar, independentemente de ser eu ou outro. Vai pintar outros ou, de repente, eu volte, não sei – disse o Fabuloso, que atendeu a reportagem do ESPORTE.COM no CT do São Paulo para uma entrevista exclusiva.
A incerteza quanto ao futuro na Seleção não se reflete quando o assunto é o Tricolor, que o repatriou em março deste ano, com o valor R$ 17,5 milhões a serem pagos ao Sevilla (ESP) em dois anos.
Mesmo sem estipular um prazo para voltar, após ter duas tentativas abortadas e que trouxeram frustração, ele garante que o retorno está próximo e que vai brigar pela artilharia do Brasileirão. Assim, vai contribuir para o São Paulo se tornar a potência da competição, na qual está na terceira colocação atualmente. Confira abaixo a entrevista em que Fabuloso fala do drama da lesão, de Copa no Brasil e de sua mudança comportamental pós-Europa
ESPORTE.COM
: Como analisa o momento atual da Seleção Brasileira?
Luís Fabiano: Momento de transição é complicado. Novo grupo, novo time. Tem de ter um pouco de paciência com os meninos que chegaram agora.
Falta um 9 como você?
L.F.: A Seleção sempre jogou com um camisa 9 e sempre vai jogar, independentemente de ser eu ou outro. Vai pintar outros ou, de repente, eu volte, não sei . O camisa 9 é aquele que está para fazer o gol. Ponto.
A ausência de um jogador assim está prejudicando o Mano?
L.F.: É transição, entrosamento. Tem de ter paciência, não tem jeito.
Você estava 100% na Copa do Mundo da África?
L.F.: Fisicamente, tive momentos melhores. Fui totalmente recuperado de uma lesão, sem dor nenhuma. Tinha condições de jogar. Mas queria chegar em um momento diferente, como em 2007 e 2008, que eu estava voando. Mas fui bem.
O que acha de o Brasil sediar a Copa do Mundo?
L.F.: É um evento fantástico, nunca vi coisa igual. Gostaria somente que o Brasil fizesse uma Copa digna. Pelo que vi na África do Sul, as condições são piores do que no Brasil e fizeram uma Copa excelente, com estádios excelentes, transporte excelente. O Brasil não pode fazer uma Copa pior do que a da África do Sul, pelo amor de Deus.
Como está vendo essa volta de ídolos ao Brasil?
L.F.: É um risco que decidi encarar, me preparava para encarar e espero que consiga dar sequência ao que fiz antes. Se tiver uma passagem abaixo do esperado, não vai ser mais lembrada a outra, só a ruim. Mas, se eu conseguir sequência, posso me tornar um dos grandes nomes da história do São Paulo.
O que mudou em você nesse tempo fora do país?
L.F.: Nem se compara àquele de 21 anos. Dentro e fora de campo. Aprendi a jogar taticamente. No Brasil, o atacante só joga com a bola no pé, não marca, não luta. Meu temperamento era explosivo, reclamava muito, era nervoso. Hoje em dia sei levar coisas que não sabia levar. Sou outro jogador.
ESPORTE.COM: Em 2003, em uma partida contra o River Plate (ARG), pela Sul-Americana, você se envolveu em uma confusão (acertou uma voadora em um argentino) e, depois do jogo, disse que preferia ser expulso entrando na briga do que não fazer e ficar para as cobranças de pênaltis. Ainda pensa assim?
L.F.: Aconteceram algumas brigas no Sevilla e fiquei fora. Não entrando na briga, não seria expulso e não teria de dar a entrevista. Sinceramente, eu se precisar ajudar um companheiro, ajudo. Obviamente, hoje não entraria na briga e bateria o pênalti, sem dúvida.
ESPORTE.COM: Como analisa esse momento atual do São Paulo?
L.F.: Difícil. Quando sai um treinador, não é legal para o grupo. Teremos uma fase de adaptação, é complicado porque os outros times já vem bem, como o Corinthians. Mas acredito muito nesse grupo jovem e vim para conquistar títulos. Espero que chegue um técnico bom (São Paulo contratou ontem Adilson Batista, veja na página 8), que saiba trabalhar com os jovens. Que consiga tirar o máximo de cada jogador. Se fizer isso, vamos ser a grande potência do futebol brasileiro.
ESPORTE.COM: Acha que ainda pode brigar pelo artilharia do Brasileirão?
L.F.: Vou ter de correr atrás. Depende de como vou voltar, das minhas condições. Sempre vai haver briga, a diferença é a qualidade do atacante. Passaram-se várias rodadas, mas acho que dá tempo, sim.
ESPORTE.COM: Como tem sido o período de recuperação?
L.F.: Estou praticamente morando no CT. Chego de manhã e saio à noite. Treino de sábado e, às vezes, domingo de manhã. Não estou tendo tempo para fazer as coisas que gosto. Está sendo muito duro. São quatro meses sem poder jogar nem a peladinha com os amigos barrigudos.
ESPORTE.COM: Não imaginava isto?
L.F.: Acreditava que iria recuperar rápido. A expectativa era essa. Estava tranquilo, mas, após a cirurgia, tive de ter força mental. A operação operar foi o momento mais duro.
ESPORTE.COM: Quem tomou a decisão da cirurgia?
L.F.: Foi em conjunto, realmente não estava aguentando. Sentia uma dor insuportável. O médico me falou: "quer por um ponto final nisso?" Falei: "Vamos". Chegou ao limite.
ESPORTE.COM: Continua sentindo dor?
L.F.: A dor nunca sumiu totalmente até a operação. Agora, estou totalmente recuperado, parece que nunca tive nada. Fiquei feliz.
ESPORTE.COM: Em que fase está a recuperação agora?
L.F.: Estou fazendo fortalecimento do tendão para não correr riscos. Já estou na fase final do protocolo, sem problema nenhum. Acabando isso, vou voltar a treinar.
ESPORTE.COM: Tem previsão de volta?
L.F.: Antes de operar, eu fazia muito isso. Estipulava um jogo para voltar. Mas aí foi uma decepção atrás da outra, acabei não jogando, operando. De repente, se a perna ficar forte, eu fizer um teste e der tudo bem, estarei pronto para jogar.
ESPORTE.COM: Tem medo de sentir de novo depois que voltar?
L.F.: Tenho certeza de que não vai acontecer porque meu caso é diferente de joelho. É uma coisa muito simples e vou voltar 100%.
ESPORTE.COM: Pediu ajuda ao psiquiatra do São Paulo, Franklin Ribeiro?
L.F.: Não. Às vezes, a força é tirada dos colegas, família, torcida. E pensar que um dia vai acabar porque senão só vem besteira na cabeça.
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