quarta-feira, 20 de julho de 2011

Na série B de Goiás, goleiro Sérgio cogita carreira política e fala em mágoa com o Palmeiras


Veterano lembra com carinho do Paulista de 93: "Foram cutucar onça com cara curta..."
Sergio-Marcos-450x338-acervo-gp-140711Acervo/Gazeta Press
Marcos chegou a morar um ano e meio na casa de Sérgio; atualmente, a distância impede os goleiros de ter um contato maior

Foram cerca de 12 anos de Palmeiras, com um total de 337 partidas. Entre os títulos conquistados, estão três Campeonatos Paulistas, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil, dois Rio-São Paulo, uma Copa Mercosul e uma Libertadores. Um dos jogadores mais queridos da torcida palmeirense, o goleiro Sérgio está escondido, mas ainda se mantém na ativa, jogando a segunda divisão do Campeonato Goiano pelo Itumbiara.

É a quarta passagem do arqueiro pelo clube do Centro-Oeste, onde conquistou o título estadual em 2008, o que o faz se sentir tão identificado com o time quanto com o Palmeiras. Com contrato até o final do ano, o arqueiro pretende encerrar carreira junto com o vínculo. Ídolo nas ruas da cidade de cerca de 90 mil habitantes, ele cogita até mesmo entrar na política.

- Aqui o pessoal tem uma admiração muito grande pela minha pessoa e pelo o que fiz como profissional. Até já me disseram que eu tenho que ser vereador. Política não é o meu forte, mas a gente não sabe, não posso dizer "não" porque, de repente, pode acontecer uma situação. Tudo vai depender do momento.

Outra possibilidade é se aprofundar nos bastidores do futebol, possivelmente como empresário de jogadores. Um negócio que ele já começou a tocar:

- Inclusive, trouxe dois jogadores para cá e já tenho atletas empregados em clubes. Estamos começando, mas tenho um trabalhinho andando.

Apesar da "nova vida" em Goiás, Sérgio admite que seu nome ainda é fortemente vinculado ao Palmeiras. Reconhecido até hoje nas ruas pelos torcedores alviverdes, ele fala com carinho dos tempos de Verdão, exceto por um momento: sua saída do clube, em 2006 - no dia 31 de dezembro daquele ano, o arqueiro não teve o contrato renovado.

- O Palaia (então diretor de futebol) foi a pessoa que mais me deu atenção e satsfação lá dentro. Depois do jogo contra o Fluminense (o último do Brasileirão daquele ano) e decidiram não ficar mais comigo, ele foi a única pessoa que me chamou na sala e me deu um abraço de despedida. Me senti muito valorizado pelo Palaia. Não porque eu merecia algo mais, mas me senti um objeto no Palmeiras, de ter feito um trabalho e nem "obrigado" eu recebi do clube. Fiz o que fiz e fui embora e não teve... Sabe? Foi isso o que me deixou mais sentido... Podiam ter dado pelo menos um obrigado, que eu me sentiria mais feliz e valorizado.




Mas a mágoa de Sérgio no fim de sua passagem pelo Palmeiras nem se compara com a felicidade vivida no Palestra Itália, especialmente o grande momento da carreira do atleta: o título do Campeonato Paulista de 1993, que tirou o Verdão de uma fila de 17 anos. Melhor: a vitória se deu sobre o arqui-rival Corinthians, como uma sonora goleada por 4 a 0, após derrota por gol único na partida de ida.

Na ocasião, Sérgio era apenas um novato de 22 anos, alçado à condição de titular em um time de astros devido a uma contusão de Velloso.

- Foi uma coisa muito boa na minha vida. Depois, houve outros títulos importantes, mas este ficou marcado. As pessoas falam que fui o goleiro pé-quente. Teve muitos goleiros que passaram na época e não conseguiram o que eu consegui.

Olhando para trás ("Passou muito rápido, estou ficando velho"), o veterano goleiro acredita que o fim do jejum foi possível principalmente por conta de um adversário, Viola, que comemorou o gol da partida de ida imitando um porco no gramado, causando a ira dos palmeirenses:

- Aquilo não mexeu só comigo, mas com todos os jogadores e todos os torcedores. A gente percebe que há males que vem para o bem. Se o Viola não fizesse aquilo, de repente as coisas não teriam acontecido daquela forma, o Palmeiras não teria aquela vontade toda, aquela gana de atropelar o Corinthians. Foram cutucar onça com vara curta e todo mundo ficou mordido...

A fantástica temporada para Sergio estava apenas começando: em 93, ele ainda seria campeão novamente em cima do Corinthians, no torneio Rio-São Paulo. No fim do ano, veio o título brasileiro, sobre o Vitória.

- 1993 foi um ano maravilhoso, pois fui campeão três vezes e jogando. Se não me engano, foram 87 partidas e, na minha opinião, eu fui muito bem. Fui eleito o goleiro menos vazado daquele Brasileiro.

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