Maurício Ramos retorna e, a fim de se firmar, promete jogar apenas o feijão com arroz cobrado por Felipão
– O Shrekão voltou! – brinca o zagueiro Maurício Ramos, que ganhou o apelido dos companheiros em 2009, ao chegar ao Verdão.
Retorno que, para o camisa 15, era um sonho perseguido desde que perdeu sua vaga na equipe, na vitória por 2 a 1 contra o Comercial, no Piauí, em 23 de fevereiro.
– Não é que ele perdeu a confiança em mim. Felipão fez o melhor pelo clube. Os dois estavam bem e tive de procurar meu espaço – afirmou, sobre Danilo e Thiago Heleno, que não perderam nenhum dos 19 jogos em que atuaram juntos neste ano.
Mas a ida de Danilo a Udinese (ITA) abriu uma lacuna no time, que Leandro Amaro, após dois jogos, mostrou ainda não estar pronto para preencher. Resgatado do esquecimento, já que em março foi classificado até como "moeda de troca" pelo treinador, Maurício Ramos garante nunca ter abaixado a cabeça:
– Nunca pensei (em fim do ciclo no Verdão). Fiquei concentrado para trabalhar e aprimorar tudo.
Aprimoramento que, na visão de Scolari, passou por uma mudança de postura. A boa atuação em sua volta, contra o frágil ataque do Dragão, foi explicada pela volta da seriedade:
– Foi muito bem, o Maurício que eu costumava ver. O que não inventa. Sempre digo: "Jogue o feijão com arroz. Não dá para sair jogando como o Luís Pereira. É melhor chutar para o mato" – pregou o chefe.
Lição dada e aprendida, garante :
– Ele sempre gostou que fizesse o simples. Não sei se viu algo... É passado, bola pra frente. Vou pegar essa oportunidade com muita vontade.
Na vida real do Palmeiras, o Shrek quer ser feliz para sempre.
Bate-Bola com Maurício Ramos
Em entrevista coletiva
Como encarava não ficar sequer no banco de reservas?
Ficava chateado, mas entendia. Os meninos estavam bem, tinha de acatar isso. Ia viajar para a casa dos meus pais ou da minha mulher, em Piracicaba. Para voltar a jogar, tinha de trabalhar mais.
O que Felipão lhe pediu quando resolveu lhe dar nova chance?
Ele cobrou muito para fazer o arroz e feijão. O grupo me ajudou e conseguimos um resultado maravilhoso. Agora, é pensar no América. Tenho de agradecer Felipão, eu estava preparado.
Acha que o Palmeiras deve investir em Henrique? É necessário?
Quem tem de decidir isso é a diretoria. Precisamos de mais um zagueiro. Se chegar Henrique, vai nos ajudar, isso é o mais importante. Ninguém tem ciúmes de ninguém. Temos de ter força para alcançar os resultados.
Com a palavra
Luís PereiraZagueiro do verdão nos anos 70 e 80. trabalha no Atlético de Madrid (ESP)
"Cada zagueiro tem a sua característica, seu tempo e espaço. O futebol mudou e as características também. Antigamente, existia um tipo de líbero, que saía jogando. Fazia parte do esquema tático. Hoje em dia, o futebol é outro, e muitas vezes é necessário que o zagueiro seja só zagueiro mesmo. Acho que tem sempre de conhecer outras posições para desenvolver novas habilidades.
Esse tipo de elogio é fruto do meu trabalho, do amor por aquilo que fazia. Na Espanha também se fala que não existe zagueiro como Luís Pereira. É uma emoção grande. Tomara que nunca haja, pois sempre vão se lembrar de mim."
Nenhum comentário:
Postar um comentário