Semifinalista da Copa do Mundo, finalista na Libertadores, finalista na Copa América, bem na base: país renasce, e símbolos locais analisam retomada
Copa do Mundo, Libertadores e Copa América mostram novo momento uruguaio (Foto: Agência Reuters)Há uma sucessão de dados. Na Copa do Mundo: semifinalista depois de 40 anos. Na Copa América: chance de ser campeão depois de 16 anos. Nas Olimpíadas: retorno à disputa, passados inacreditáveis 84 anos da última participação. Libertadores: retorno à decisão depois de mais de duas décadas.
Os títulos, é verdade, ainda não voltaram a ser realidade. Mas o crescimento já ajudou a resgatar parte do orgulho futebolístico do país.
- Vou te dar um exemplo perfeito. Em 1970, para vocês, brasileiros, ganharem a Copa do Mundo, precisaram eliminar o Uruguai nas semifinais. Lembro que os jogadores retornaram ao país, depois daquela derrota, e não foram tratados nada bem. No ano passado, o Uruguai também parou nas semifinais. E o país os recebeu com festa – observou Jorge Fossati, ex-treinador da seleção uruguaia.
Matías Vecino comemora gol que colocou UruguaiSub-20 nas Olimpíadas de Londres (Foto: EFE)
Entre os ainda mais jovens, nova esperança. No recém-realizado Mundial Sub-17, o Uruguai foi até a final. Perdeu para o México, mas fez boa campanha no caminho até lá. Paciência: aplicou 3 a 0 no Brasil nas semifinais.
- Vamos ver como será até 2020. É aí que teremos uma noção do que essa geração foi capaz. É difícil ter um prognóstico agora. Nossa esperança é de que esses jovens se mantenham. Mas não adianta querer que tudo mude de um dia para o outro – opinou Hugo de León, lendário ex-zagueiro uruguaio.
Pablo Forlán, o pai de Diego Forlán, principal craque da atual seleção uruguaia, se anima com o novo momento da Celeste. Com a experiência de quem disputou duas Copas pelo país (1966 e 1974), ele vê o povo mais confiante.
- Nosso futebol é histórico, mas precisa dessa reorganização. Sem dúvida, as pessoas estão mais confiantes, gostando mais. Isso tudo é pelo que o futebol faz. É o futebol do Uruguai que está fazendo as pessoas confiarem na seleção – afirmou.
Uruguai estrangeiro
Coates, o único titular que joga no futebol uruguaio:por enquanto... (Foto: EFE)
- A maioria dos jogadores não joga no país. Nas seleções de jovens, muitos logo, logo vão sair também – apostou Fossati.
Fortalecer os clubes é um desafio para o Uruguai. Sempre fortes na Libertadores, os vizinhos amargaram distância do título. Em 2011, veio o Peñarol para oferecer uma luz à esperança charrua. Os carboneros eliminaram o Inter nas oitavas de final e avançaram até a decisão, quando foram batidos por um Santos visivelmente superior.
A visão entre os uruguaios, porém, é de que o sucesso do Peñarol na Libertadores foi exceção. Não há dúvidas de que os clubes precisam se fortalecer – o que, consequentemente, fortaleceria o futebol no país.
- A Federação até que é bem estruturada, mas os clubes não fazem o mesmo. Tomara que esse momento faça com isso passe a ser melhor nesse futebol que os clubes dizem ser profissional – opinou De León.
Uruguai para os uruguaios
Jorge Fossati: 'A seleção não era o time de todos'- Tinha muita coisa errada na mentalidade dos diretores, dos clubes. A seleção não era o time de todos. Cada um queria sua vantagem. E o torcedor reagia de outra forma. Dizia que os jogadores não tinham fome de glória, que só jogavam pelo dinheiro. Hoje, a coisa mudou completamente. Dá para sentir que é uma nova etapa. Os torcedores estão com uma mentalidade diferente. Os diretores perceberam que aquilo que é bom para o clube também é bom para a seleção. Acho que foi uma mudança geral, que também envolveu a imprensa. Todos pararam de ver a seleção como um lugar de negócios – afirmou o atual treinador do Al-Sadd, do Qatar.
Fossati treinou a seleção uruguaia de 2004 até a eliminação na luta para chegar à Copa da Alemanha, com queda para a Austrália, nos pênaltis, na repescagem. A demissão dele confirmou uma rotina que viria a ser quebrada com Tabárez. Ele está desde 2006 no cargo. O último a ficar na função mais tempo do que ele foi Juan López, de 1946 a 1955 – depois, Omar Borrás ficou os mesmos atuais cinco anos de Tabárez, de 1982 a 1987.
- Essa continuidade é fundamental. E foram realizados pelo menos 12 amistosos internacionais preparatórios para a Copa América. Eu não consigo lembrar de algo assim ter acontecido antes – completou Fossati.
A decisão
Neste domingo, em Buenos Aires, o Uruguai tenta deixar de apenar beliscar os títulos. Tenta agarrar pelo menos um. Em Montevidéu, Pablo Forlán estará de olho no desempenho da Celeste, especialmente de seu filho.
- Estamos confiantes, mas precavidos. O Paraguai é um time combativo, que luta até o final. Mas isso nós também fazemos – afirmou o Forlán pai, ex-jogador do São Paulo.
| Onde jogam os titulares da Celeste | |
|---|---|
| Fernando Muslera | Galatasaray, da Turquia |
| Maxi Pereira | Benfica, de Portugal |
| Diego Lugano | Fenerbahçe, da Turquia |
| Sebastián Coates | Nacional, do Uruguai |
| Martín Cáceres | Sevilha, da Espanha |
| Walter Gargano | Napoli, da Itália |
| Arévalo Rios | Tijuana, do México |
| Álvaro González | Lazio, da Itália |
| Álvaro Pereira | Porto, de Portugal |
| Diego Forlán | Atlético de Madri, da Espanha |
| Luis Suárez | Liverpool, da Inglaterra |
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