Conselheiros esquecem "partidos" e tentam esclarecer os R$ 300 mil que não aparecem na contabilidade
Um suposto sumiço de até R$ 300 mil das contas do Palmeiras está mobilizando todas as alas do Conselho palmeirense e até mesmo unindo rivais da política. As constantes conversas entre Seraphim Del Grande, que apoiou Paulo Nobre na última eleição, e Piraci de Oliveira, ligado a base que elegeu Arnaldo Tirone, são só um exemplo disso. Eles tentam deixar as diferenças políticas de lado para entender o destino dessa verba e, se preciso, punir os culpados.
O fato é que em 2010, com a autorização do clube, Pedro Jorge Renzo de Carvalho, advogado do Palmeiras e sócio de Antônio Carlos Corcione, que é conselheiro do time, resgatou cerca de R$ 1,1 milhão de valores referentes a tributos discutidos na Justiça. Posteriormente, a contabilidade do clube só registrou a entrada de aproximadamente R$ 880 mil.
Renzo, que também é advogado do presidente Arnaldo Tirone, foi questionado sobre o assunto e defendeu-se exibindo documentos que foram assinados por Francisco Busico, então responsável pelo departamento financeiro do clube.
Ele ainda explicou que essa diferença de quase R$ 300 mil foi paga em dinheiro para cobrir um furo no caixa e colocou-se à disposição do comitê de sindicância que foi eleito pelo COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) para novos esclarecimentos. Parte dessa quantia ainda teria servido para o pagamento de um advogado e essa operação também teve recibo.
Na última quinta-feira, inclusive, esse comitê fez uma nova reunião, colheu novas declarações e deve exibir um relatório com conclusões nos próximos dias. Corcione explica que tudo não passa de uma confusão da contabilidade do clube e faz questão de ressaltar a idoneidade de Busico e Renzo.
“O Pedro já passou todos os documentos, todos assinados pelo Busico. Ninguém seria burro de prestar contas e não repassar a verba para o clube. O Pedro é advogado do clube há mais de 15 anos, já resgatou verbas e mais verbas e sempre foi tudo certo, não seria por R$ 200 mil que iria se complicar. O Busico está aí há muito tempo no financeiro do clube e também nunca teve problema. Agora estão criando uma tempestade em torno disso, não sei se tem fundo político ou algo do tipo. O que sei é que isso vai ser resolvido e não passa de um problema de contabilidade. Não tem a menor possibilidade de eu duvidar do Busico e do Renzo”, afirmou Corcione.
Uma auditoria externa também foi contratada pelo clube para que as contas fossem examinadas e o destino do dinheiro fosse finalmente esclarecido. Ela deve exibir um relatório detalhado para que as investigações sejam concluídas ou tomem um novo rumo.
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