‘Eu estou na seleção por amor, ele está como técnico porque lhe pagam. Não merecia ser tratado dessa maneira’, diz zagueiro do Real Madrid
A goleada de Portugal por 4 a 0 sobre o Chipre, na última sexta-feira, pelas eliminatórias da Euro 2012, ficou em segundo plano neste sábado na imprensa lusitana. A renúncia de Ricardo Carvalho à seleção do país continua como o assunto mais falado. Chamado de desertor pelo técnico Paulo Bento, o defensor do Real Madrid disse ter ficado magoado com as palavras do treinador e respondeu.
- É muito forte, uma linguagem militar, me chamar de desertor. Com a mesma linguagem, eu podia chamar ele de mercenário. Quando alguém vai para guerra pago, é chamado de mercenário. Eu estou na seleção por amor, ele está como técnico porque lhe pagam. Não merecia ser tratado dessa maneira - afirmou Ricardo Carvalho em entrevista à emissora “RTP”.
Ricardo Carvalho, que abandonou, sem justificativa, o treino da seleção em Óbidos a dois dias do jogo com o Chipre depois de perceber que não seria titular, disse que o episódio foi mal interpretado por Paulo Bento.
- O treinador se aproveitou do episódio, que não foi o mais correto da minha parte, para pisar em mim e me massacrar. Foi um sentimento muito forte que tive. Quando cheguei do treino, achei que não me tinham respeitado. Cheguei ao quarto e nem troquei de roupa. Não foi nada premeditado, estava com cabeça quente e não falei com ninguém. Foi o meu grande erro, não me passou pela cabeça. Estava tão desorientado naquele momento – disse o zagueiro de 33 anos e 75 jogos pela seleção portuguesa.
Carvalho diz que sentiu "uma grande injustiça", porque "tinha treinado bem", quando viu que a vaga de titular seria dada ao luso-brasileiro Pepe, seu companheiro no Real Madrid. Ele, entretanto, fez questão de ressaltar que nada tem contra o colega.
Ricardo Carvalho em ação pela seleção portuguesa (Foto: Reuters - Arquivo)
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