Há exatos 30 dias, treinador entrava na sala de cirurgia para iniciar batalha pela vida após sofrer um AVC em campo e agora já pode pensar até em voltar

Ao longo do último mês, muita água rolou. Hoje, olhando para trás, o clínico particular do treinador vascaíno, Fábio Guimarães de Miranda, admite que temeu pelo pior ao tomar conhecimento da gravidade do quadro do paciente. Este sentimento ainda durou os quatro dias seguintes ao procedimento emergencial conduzido pelo neurocirurgião José Antônio Guasti. Hoje, vendo Ricardo Gomes cada vez mais falante e evoluindo nas sessões de fisioterapia, Fábio segue se surpreendendo.
- A primeira ideia, quando vi o Ricardo e a gravidade do caso, era justamente saber se ele iria sobreviver ou não. Depois, com o quadro estável, veio a preocupação pelas sequelas permanentes. E hoje vemos uma recuperação realmente surpreendente e bem acima do esperado. Se o que estamos vendo atualmente acontecesse somente em dois meses, eu já estaria satisfeito. Acho que isso mostra como tudo realmente vai bem - afirmou Fábio, que já, inclusive, conversou com Ricardo sobre isso. - Falei em dois momentos: um ainda no hospital e outro quando estive com ele em sua casa no último sábado. Ele presta bastante atenção e fica muito impressionado.
Ricardo Gomes comanda treino no Vasco. Cena pode acontecer novamente (Foto: Maurício Val / Fotocom.net)- Ele está indo muito bem. O problema no joelho causa dor em determinados exercícios, mas a movimentação continua muito boa. Ficar em pé sozinho é algo que ainda não acontece, mas o Ricardo já ajuda e muito a equipe de fisioterapia nestes momentos. E a fala já está próxima do ideal. Ele tem falado de tudo - comemorou Fábio Guimarães de Miranda.
Até francês Ricardo Gomes já falou
Em paralelo à fisioterapia, Ricardo Gomes vem fazendo as sessões de fonoaudiologia. Comandadas por Elizabeth Gonçalves Ribeiro, as consultas duram entre 40 minutos e uma hora, dependendo de como o treinador vascaíno se encontra. Assim como todos os médicos que acompanham o caso, a fonoaudióloga também se surpreende com a recuperação. Em certo momento, até mesmo francês, língua que ele domina após tantos anos morando no país, foi falado por Ricardo.
Segundo Elizabeth, Ricardo já consegue se comunicar através da fala, explicando suas necessidades e interpretando o que lhe é pedido durante as consultas. As dificuldades só surgem quando o volume da conversa passa a ser maior. No entanto, esta questão é considerada perfeitamente normal, principalmente pela gravidade do quadro inicial.
- Isto faz parte do processo de reabilitação. Não existem casos iguais, todos são únicos. Desta forma, posso falar que o processo de reabilitação de Ricardo é surpreendente. É uma pessoa de muita garra, que se empenha em todas as atividades desenvolvidas. Ele é especial. Possui uma grande bagagem cultural, o que favorece também todo o trabalho de reorganização da linguagem - afirmou.
Ir a São Januário? Não é aconselhável, mas já é uma possibilidade
A recuperação é maravilhosa e surpreendente e a questão do trabalho só depende dele. Em termos de medicina não há nada que vá impedir ele de trabalhar e, quem sabe, comemorar o título"
Fábio Guimarães
- Se ele já poderia? Sim. Teria de ir de cadeira de rodas. Tem gente que até trabalha assim no meio do esporte. Mas se isso seria conveniente neste momento? Aí é uma questão que já depende dele. Seria muita exposição. No momento, assistir a um jogo ou até mesmo a um treino é viável, mas não recomendável - explicou Fábio.
Mas e no dia 4 de dezembro, data da última rodada do Campeonato Brasileiro, com o Vasco com chances reais de conquistar o título? Será que Ricardo Gomes poderia acompanhar o clássico contra o Flamengo e vibrar com o título caso o quadro atual do campeonato se confirme? Fábio Guimarães diz que tudo pode acontecer até lá. Mas, com bom humor, só discorda na hora de comentar o campeão brasileiro.
- Eu sou torcedor do Fluminense e acho que o Ricardo vai ver outro clube levantando a taça. Mas foi o que falei. Tudo neste momento são projeções. O que posso dizer é que a recuperação é maravilhosa e surpreendente, e a questão do trabalho só depende dele. Em termos de medicina, com ele dentro de uma normalidade na movimentação e na fala, não há nada que vá impedi-lo de trabalhar e, quem sabe, comemorar o título - finalizou.

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