quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Corinthians

'Chato', Chicão fica com braçadeira e aposta em Timão vivo sem galácticos
Novo capitão promete cobrança pesada, quer dividir missão de liderar o elenco e acredita que Timão pode viver sem Ronaldo e Roberto Carlos


Chicão é a timidez em pessoa. De poucas palavras e avesso às câmeras, o zagueiro do Corinthians não concede entrevistas sozinho na sala de imprensa do CT Joaquim Grava por ter vergonha. Sempre precisa falar com um outro jogador ao lado. Mas quando o assunto é a liderança em campo, o defensor se transforma. Sem Ronaldo, a braçadeira de capitão agora é dele e com promessa de não aliviar para os companheiros.

- Estou bastante honrado em ser capitão. Pode ter certeza que vou cobrar bastante. Serei chato. Mas não é porque sou capitão que só eu tenho que conversar. O Alessandro tem experiência, o Jorge também pode falar. Temos que entrar em acordo no campo e um cobrar o outro – afirmou.

Ao lado de Alessandro e Dentinho, Chicão é o único remanescente da equipe que deu início à “era Andrés Sanches” no Corinthians. O trio participou dos momentos mais importantes sob o comando de Mano Menezes: os títulos da Série B do Campeonato Brasileiro (2008), Copa do Brasil (2009) e Campeonato Paulista (2009).

A experiência, aliás, faz Chicão já tentar projetar a vida do clube sem Ronaldo e Roberto Carlos, as principais estrelas das últimas temporadas. O zagueiro reconhece a importância dos pentacampeões, mas lembra que o Timão tem condições de conquistar títulos sem a presença deles nos gramados.

- Não temos que responder para ninguém. Temos que fazer o nosso trabalho. Eles farão falta, mas jogamos sem eles, como no clássico (contra o Palmeiras), e conseguimos uma boa vitória. Temos que seguir em frente – ressaltou.

Chicão assume a braçadeira em um momento complicado. Depois de passar 2010 sem títulos, o Corinthians inicia 2011 com problemas. O time disse adeus à Libertadores, grande projeto da temporada, e agora se vê obrigado a conquistar o Paulistão ou o Campeonato Brasileiro para salvar o ano e acalmar a Fiel.

- A cobrança sempre vai existir. Claro que não queríamos ficar fora da Libertadores, mas, infelizmente, aconteceu a eliminação. Agora, temos que pensar no Paulista e tentar brigar por esse título – completou.


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Os jovens Viola e Ronaldo festejam a conquista da Copa do Mundo em 1994. Os jogadores dividiram quarto e posição durante a competição nos Estados Unidos (Foto: Getty Images)Viola revela que não acredita que o ex-parceiro de concentração foi vencido pelas dores e afirma com convicção que as agressões verbais e ameaças de alguns torcedores do Corinthians após a eliminação do time na Taça Libertadores foram os reais motivos da aposentadoria precoce do Fenômeno.

- Como entendo muito de futebol, sei que não foi por causa das dores que o Ronaldo parou. Ele se chateou por causa de meia dúzia de torcedores, que, tenho certeza, não são torcedores da Fiel. Eles foram, em momento errado, agredir os jogadores, chutar o patrimônio do clube e se focaram somente em duas pessoas: no Ronaldo e no Roberto Carlos. E foi o Ronaldo que indicou o Roberto Carlos. O Fenômeno até enviou no Twitter “não vou dar esse gostinho de me aposentar”, mas o cara começa a se enojar. Ninguém quer ser agredido no local de trabalho. Quando você paga o ingresso e vai ao estádio, você vaia, mas sair da sua casa para humilhar, para agredir, isso é muito feio. O Ronaldo se enojou porque ele não precisa disso. O dinheiro vai fazer falta? Isso não iria fazer falta... Ele sentia prazer de jogar no Corinthians - defendeu.


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O Corinthians viveu mais de dois anos apostando no entrosamento como uma de suas principais armas de sucesso. Com uma base montada ainda na Série B de 2008, o Timão trocou poucas peças e viveu momentos de glória, como na conquista do Paulistão e da Copa do Brasil do ano seguinte. Mas, agora, será diferente. Depois da eliminação na Libertadores, o Alvinegro tenta voltar aos trilhos em meio a tantas mudanças.

- Mudou bastante a equipe, ainda mais com as saídas do Roberto e do Ronaldo. Mudou em todos os setores. O mais importante é o que o Tite vem fazendo, dado oportunidade. Precisamos ter essa identificação como equipe. Sei que demora um pouco, não é fácil – disse o lateral-direito Alessandro.

Além de ainda procurar reforços, principalmente para a zaga e para o meio de campo, o Corinthians precisa encaixar o novo esquema tático de Tite e definir os titulares. O treinador vem adotando o 4-2-3-1, com três homens na criação (Danilo, Ramírez e Jorge Henrique), tendo apenas Liedson mais avançado.

- A defesa, meio e ataque foram mexidos. Sabemos que é difícil montar o time durante o campeonato. Temos que nos adaptar. Nós vamos brigar pelo título. Pode ter certeza – ressaltou o novo capitão Chicão.

O defensor, aliás, já vê uma mudança de comportamento em comparação com os dois jogos que eliminaram a equipe da Taça Libertadores, diante do Tolima. Segundo ele, a marcação não dá mais tanto espaço como aconteceu diante dos colombianos.

- Tínhamos que marcar mais. No clássico (contra o Palmeiras) não aconteceu isso. Contra o Ituano também não. O Tite corrigiu algumas coisas para que isso não aconteça novamente. Estamos conversando para não dar espaço – completou.


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