quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

São Paulo

Contra um animado Treze, São Paulo inicia a caminhada na Copa do Brasil
Time paraibano vive ótimo momento na temporada, é líder do estadual e não perde em casa há 39 jogos. Já Tricolor terá a volta do garoto Lucas nesta noite


Acostumado a disputar a Taça Libertadores da América nos últimos oito anos, o São Paulo começa a viver na noite desta quarta-feira a sua nova realidade. Depois de uma sequência de erros em 2010 e um decepcionante nono lugar no Brasileirão, a equipe comandada por Paulo César Carpegiani inicia às 22h (de Brasília) desta quarta-feira a disputa da Copa do Brasil, competição que teve a participação do Tricolor pela última vez em 2003. E, no pontapé inicial, a parada promete ser complicada.



Problemas não intimidam Carpegiani: 'Não tenho dúvida que vamos crescer'
Treinador comemora a volta de Lucas, manda recado aos acomodados e diz que São Paulo tem elenco suficiente para brigar por títulos na temporada 2011


Aos 62 anos de idade, o técnico Paulo César Carpegiani disputará a sua segunda Copa do Brasil pelo São Paulo. E, apesar da distância entre as duas edições (a primeira foi em 1999), o momento pode ser parecido. O time não conquista um título importante há dois anos e enfrenta o descrédito de sua torcida, desconfiada com a irregularidade da equipe, que alterna grandes apresentações e partidas muito ruins. A defesa, que sempre foi o ponto forte, vive uma crise de identidade, com 12 gols sofridos em seis partidas, enquanto o ataque se ressente de uma referência.


Carpegiani conversa com Carlinhos Paraíba e Fernandinho. Treinador faz ajustes, na busca pela melhora da equipe, que ainda não convenceu na temporada 2011.Mas o gaúcho de Erechim não se entrega. Com personalidade, diz que o pior já passou. Com a chegada dos garotos da Seleção sub-20 e dos reforços contratados, ele aposta que vai colocar o time nos eixos. E, na véspera da estreia contra o Treze, concedeu entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM. Afirmou que a volta de Lucas dará uma nova cara ao time, que a utilização do esquema 3-5-2 é uma prova de que não é teimoso, e lamentou a saída de Ricardo Oliveira, "traumatizante", segundo ele. Para finalizar, mandou um recado aos acomodados. Acompanhe a entrevista abaixo.

Como definir a Copa do Brasil?

É uma competição um pouco diferente das outras, porque é tiro curto. Se não me engano, você faz cinco ou seis confrontos, no máximo, e já está disputando o título. Teremos uma partida complicada. Acompanhei o teipe do adversário e vi que é uma equipe muito forte em casa, que joga empurrada por sua torcida. Por isso, precisamos mostrar mais do que nas últimas partidas.

No ano passado, você disse algumas vezes que não tinha dúvidas de que o time de 2011 seria muito mais forte. No entanto, com oito jogos disputados, isso não vem acontecendo. O que falta para esse time decolar?

É verdade, eu falei isso e reconheço que ainda não estamos bem. O problema é que tive problemas na remontagem da equipe. Eu perdi uma peça (Ricardo Oliveira) que me desmontou o esquema, foi traumatizante. Ele estava encaixado, e a equipe sabia jogar com ele. Junto a isso, fiquei também sem o Lucas no início do ano (convocado para a Seleção sub-20), que fazia muito bem esse lado direito. Agora que ele está de volta, estou começando a remontar o que deu certo no ano passado, com ele aberto de um lado e o Fernandinho do outro. Ainda não é o que penso como ideal, mas não tenho dúvida de que essa equipe tem um grupo suficientemente forte para alcançar ótimos resultados na temporada. Ainda tenho alguns jogadores lesionados, mas, pela primeira vez, vejo o grupo com maior número de opções. Não tenho dúvidas de que vamos crescer.


Não é ruim depender tanto de Lucas, um jogador de apenas 18 anos?

Não acho isso. O Lucas é um jogador que teve sua oportunidade e soube aproveitá-la. Sem dúvida, é uma peça que nos fez falta. A questão de ser garoto não me preocupa. Vai ter a chance e, se mostrar qualidade, vai jogar e pronto. Ele teve a chance, o William vai ter, o Henrique vai ter, o Casemiro vai ter. Cabe a eles mostrarem quem pode jogar. Eu não tenho preferência por A ou B. Tenho preferência por quem pode me dar a melhor resposta dentro daquilo que acho certo.


Como fazer para consertar a defesa, um setor que sofreu 12 gols em seis jogos?


É um número altíssimo e me preocupa. Mas me preocupa ainda mais o fato de que 95% desses gols sofridos foram falhas nossas, onde tínhamos superioridade numérica em relação ao adversário. Pegue os gols que sofremos contra o Santos. No primeiro, o Elano vem de trás, surge sozinho na área e ninguém o acompanha. No segundo, ele domina a bola no meio-campo, tem liberdade para executar o chute e, no rebote, tenho meus três zagueiros posicionados na área, com o atacante livre. O Jean estava mais do lado, faltou ele voltar para fazer a recomposição corretamente. Vamos ajustar isso, não temos muito tempo para treinar, mas acho que isso vai melhorar quando o time atingir a compactação que eu acho necessária.

Outro jogador que se destacou no Sul-Americano Sub-20 foi o Casemiro. Como está a situação dele? No ano passado, ele era opção no banco de reservas. Isso pode mudar?

Só depende dele. Se você lembrar, ele jogou comigo contra o Atlético-PR em Barueri, saiu e voltou depois na partida contra o Atlético-GO, no Serra Dourada, no fim do Campeonato Brasileiro. Foi muito mal, não se apresentou para o jogo, esteve lento, sem vontade, só queria jogar com a bola nos pés. Aí você o vê na Seleção, correndo dos dois lados, se apresentando, buscando a bola. É isso o que eu quero. Só que também é preciso ter responsabilidade. Não adianta querer atacar e deixar um buraco na defesa. Volto a dizer: o Casemiro tem muita qualidade, mas precisa me provar que pode jogar. Eu até pensei em utilizá-lo no jogo contra o Treze, mas vou esperar mais um pouco.

Pela primeira vez desde que assumiu o cargo, você vai utilizar o esquema 3-5-2. Por que a mudança de ideia?

Um dos problemas que tenho hoje é que meus dois laterais jogam como alas. Isso me complica bastante. Eu precisaria de tempo para trabalhar essa dinâmica de jogo, mas não tenho. Então vou trabalhando da melhor maneira possível. Se eu perceber que eles não podem fazer isso, vou ter de mexer aí também. No ano passado, isso não me preocupava porque eu tinha o Richarlyson, que fazia muito bem a composição defensiva. Com isso, o Fernandinho tinha mais liberdade para atacar do que hoje. Hoje, ele volta para recompor o setor. Vou escalar os três zagueiros no 3-5-2 porque quero que o Lucas e o Fernandinho tenham liberdade para atacar. Ainda vou encaixar um centroavante nessa equipe. De repente, o garoto William (José, que veio do Grêmio Prudente) pode ser a peça que nos faltava.

Questões táticas ou técnicas podem ser arrumadas, consertadas. Mas vibração, não. Ou você tem, ou você não tem. E isso, no futebol de hoje, faz a diferença"CarpegianiMas, ao mudar o esquema, você não está indo contra os seus princípios?

Volto a falar, não gosto do 3-5-2, é um esquema que só é utilizado no futebol brasileiro. Se você enfrentar uma equipe na Europa com esse esquema, está morto. Mas para que o Lucas e o Fernandinho tenham liberdade total para atacar, vou fazer isso. O adversário é um time que povoa muito o meio-campo, então vou fazer o mesmo.

Qual o maior problema do São Paulo atualmente? É técnico, tático ou de comportamento? Você, em diversas ocasiões, criticou a falta de apetite dessa equipe.

Sem dúvida nenhuma, o que mais me preocupa é a falta de vibração. Vou arrumar isso, vou mexer na equipe até achar o que eu quero. É claro que eu preciso respeitar as características dos meus jogadores, mas eles precisam ser mais vibrantes. Questões táticas ou técnicas podem ser arrumadas, consertadas. Você consegue fazer o jogador executar. Mas vibração, não. Ou você tem, ou você não tem. E isso, no futebol de hoje, faz a diferença. Eu tenho que exigir dos meus jogadores que sejam brigadores, que lutem em campo, que mostrem disposição. E isso está faltando em algumas partidas. Vou mexendo até encontrar uma solução para isso.

É difícil encontrar no futebol brasileiro um treinador que aponta publicamente os erros, que não esconde o treino e não omite escalação.

Sou um cara muito franco, penso que o futebol é mais bem executado dessa maneira. Eu não posso agir com os meus jogadores de uma maneira e chegar para vocês da imprensa e falar outra coisa. O que eu não gosto é falta de conhecimento. Por isso, quando alguém vem fazer uma pergunta, é preciso saber o que está falando. Mas não gosto de esconder as coisas, vou procurar ser sempre o mais transparente possível.


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