domingo, 26 de junho de 2011

Após semana polêmica, Kleber se valoriza e vira intocável no Verdão

Proposta do Flamengo serviu para reforçar condição do Gladiador no Palmeiras. Alas do clube já pressionam por reajuste salarial ao atacante

Kleber viveu sua semana mais conturbada desde que voltou ao Palmeiras, na metade de 2010. O Gladiador foi o personagem central de uma polêmica que envolveu o clube, o presidente Arnaldo Tirone e o Flamengo – interessado em seu futebol e disposto a oferecer até 6 milhões de euros (R$ 13,7 milhões) para contar com o jogador. Na quarta-feira, o próprio Kleber tentou dar um fim à polêmica, dizendo que quer encerrar a carreira no Verdão. Neste domingo, contra o Ceará, no Presidente Vargas, ele disputa sua sexta partida no Campeonato Brasileiro. Se fizer mais uma, estará impedido de se transferir para outro clube da Série A.

O Fla ainda não desistiu, mas o Palmeiras bate o pé e diz que não há jeito de o Gladiador sair – tanto é que já estuda um reajuste salarial ao capitão da equipe. Mesmo com a postura defensiva de Kleber e de seu agente, Giuseppe Dioguardi, membros próximos à diretoria tentam passar a Tirone e a seu vice-presidente, Roberto Frizzo, a ideia de que um aumento para o principal jogador do time valeria a pena. Para eles, perder o Gladiador para um clube rival nacional seria "desmoralizante".

Tanta polêmica começou no sábado, quando a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, enviou uma proposta formal de 3 milhões de euros (quase R$ 7 milhões) para comprar os 50% dos direitos econômicos de Kleber que pertencem ao Palmeiras – a outra metade é do Cruzeiro. Num primeiro momento, Arnaldo Tirone negou qualquer proposta, mas ela já havia chegado no próprio sábado ao correio eletrônico do dirigente. Dias depois, ele admitiu que tinha a oferta em mãos, mas recusou.

O problema é que Kleber se irritou com algumas declarações do presidente e se sentiu desvalorizado. Mesmo em meio a polêmicas, ele teve grande atuação e fez dois gols na goleada por 5 a 0 sobre o Avaí, domingo passado, no Canindé. Depois do jogo, desabafou – ao saber que Tirone havia dito que o Gladiador trocaria o certo pelo duvidoso se fosse para o Fla.

- Tenho certeza de que chego para jogar em qualquer clube do Brasil. O Flamengo não iria pagar isso que estão dizendo, três milhões de euros por metade do meu passe, para me deixar no banco. A presidente do Flamengo valoriza o jogador. O Palmeiras, não. Isso me deixa triste – disse, na saída do gramado.

O Flamengo ainda acredita que pode tirá-lo do Palmeiras com os R$ 13,7 milhões, que arrematariam os 100% dos direitos econômicos do jogador – nesse caso, o Verdão não poderia impedir a negociação. No entanto, os dirigentes rebateram com uma multa astronômica, baseada no salário do jogador e que chega aos R$ 240 milhões. Este seria o valor da rescisão, mas que não impede o negócio. Por isso, o Fla ainda estuda nova investida por valores dentro da realidade.

Na quarta-feira, dia de entrevista coletiva do Gladiador, Arnaldo Tirone disse que recebeu um pedido de desculpas de Patrícia Amorim, desmentido pela própria. Enquanto os presidentes apresentavam discursos diferentes, Kleber falava da sua vontade de permanecer, mas sem descartar uma eventual saída.

- Não sei se o Flamengo tem o dinheiro para pagar a multa e se acham que isso vale a pena. Se pagarem, vou ouvir a proposta. Sou profissional. Tudo é conversável, mas já deixei claro que minha vontade é ficar – ressaltou Kleber.

Valorizado, o Gladiador está tranquilo. Neste sábado, desembarcou em Fortaleza numa boa, focado apenas no duelo contra o Ceará. Os presidentes de Fla e Palmeiras que se entendam. Dentro de campo, o camisa 30 quer mesmo é aumentar sua artilharia na temporada (16 gols) e ajudar o clube que lhe paga o salário a se manter na parte de cima da tabela do Brasileirão. Por ora, está tudo em paz - até que uma nova proposta rubro-negra apareça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário