A discussão sobre "O Melhor de Todos os Tempos", em qualquer esporte, é um assunto bastante controverso. Tem gente que ousa dizer que o Maradona foi melhor que o Pelé. Não vi o Pelé jogar ao vivo, somente em arquivos de vídeo e em leituras de jogos da época. Mas vi o Maradona. E acho que ele sequer foi o melhor que vi jogar. Acho o Zico melhor que ele. O Maradona tinha mais habilidade, mas acho que escolhas de "Melhor de Todos os Tempos" não se atêm apenas ao mais habilidoso e sim ao mais completo.
05/01/2004 - Alexandre Passos de Matos
No basquete, a discussão é a mesma. Michael Jordan foi talvez o mais habilidoso jogador da história. Conquistou 6 títulos. Era excepcional defensor, arremessador. Enterrava como nunca vi (apenas Kobe Bryant se compara neste aspecto, Vince Carter tem menção honrosa), voava em direção à cesta. Mas não foi o primeiro a fazer isso: Elgin Baylor já fazia nas décadas de 50-60 pelo Lakers.
Mas, na minha humilde opinião, o maior jogador de basquete de todos os tempos é Earvin Magic Johnson. Não só por ser ele o meu maior ídolo, juntamente com Pete Sampras, abaixo apenas do Zico (este é hors-concours). Mas por ter jogado o que jogou, por ser quem é, pelo que aconteceu a ele.
Magic era um armador clássico, com 6-9ft de altura (mais de 2m), numa época em que os jogadores da mesma posição dificilmente passavam de 1,95m, como John Stockton, Isiah Thomas, dentre outros. Para se ter uma idéia, na década anterior, Bill Russell era o pivô dominante da NBA, o rei dos tocos. E menos de 3cm mais alto do que Magic Johnson.
Como podia um jogador deste tamanho, um armador, correr como os pequenos e velozes armadores, arremessar com a precisão dos melhores arremessadores, disputar rebotes contra os gigantes pivôs e passar a bola como nunca se viu na história do basquete?
Com a altura de Bill Russell, Magic fazia coisas normalmente reservadas para os homens mais baixos do jogo, como condução de bola, passe e armação de ataque. Somadas estas características e temos um novo padrão de armadores. O jogo nunca mais foi o mesmo.
Ninguém conseguia pará-lo regularmente. O Philadelphia 76ers que o diga. Como parar o Magic Johnson pivô? E o Magic Johnson ala? E o Magic Johnson armador? Os Sixers viram os três jogarem numa mesma noite.
Corria o playoff final da temporada 1979-1980. Sexto jogo, na Filadélfia. O Lakers vencia a série por 3 a 2 e seria campeão com uma vitória naquela noite de primavera. O superpivô Kareem Abdul-Jabbar tinha voltado a Los Angeles devido a uma séria contusão no tornozelo. O técnico perguntou se Magic poderia jogar de pivô durante parte do jogo. "Sem problemas", respondeu Magic.
Jogando nas 5 posições várias vezes no jogo, Magic Johnson marcou 42 pontos, incluindo 100% de aproveitamento em 14 lances livres, pegou 15 rebotes e deu 7 assistências, quase um triple-double. Resultado: 123-107 para o Lakers, título assegurado, Magic MVP das finais.
Ah, esqueci de dizer. Magic era calouro naquele ano. Sim, ele estava disputando seu primeiro campeonato, com 20 anos. Magic fez até os 21 anos o que a muitos não fizeram em toda a carreira.
Com Magic Johnson, o Los Angeles Lakers ganhou 5 campeonatos e foi a final em mais 4, em 12 anos. Ou seja, 9 finais em 12 anos de carreira. Magic nunca teve média inferior a 14.6 pontos por jogo em uma temporada. Liderou a NBA em assistências em 5 anos seguidos (é o segundo maior em assistências da história, só atrás de John Stockton. Mas Stockton não fez metade do resto que Magic fez). Foi o MVP da temporada por 3 vezes. Foi o MVP das finais outras 3 vezes. Disputou 12 All-Star Games em 12 anos de carreira.
Além disso, liderou o Lakers na conquista do primeiro título sobre o Boston Celtics, na nona vez que os dois decidiam o campeonato. E o fez em pleno Boston Garden.
Até que em Novembro de 1991, chocou o mundo ao dizer que havia contraído o HIV. Depois disso ainda jogou o All-Star Game de 1992, sendo o MVP e foi campeão olímpico em Barcelona, em 1992, como membro do primeiro e único Dream Team.
Atualmente, Magic é um homem de negócios. Mais de doze anos depois, conseguiu controlar a doença, tem um porte físico invejável. Comprou parte do time do Los Angeles Lakers. O que ficará para o mundo é a imagem do homem que abraçou o basquete como abraçou a vida. E sempre com o sorriso característico no rosto e um toque de mágica nas mãos.
Desculpem-me os adoradores do Jordan. Desculpe-me, Barrettão. Mas o Magic Johnson é "o cara".
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
O Maior de Todos os Tempos
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